A montadora chinesa BYD foi retirada em menos de 72 horas do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja” do Ministério do Trabalho. A informação foi revelada em reportagem publicada pela Agência Pública. A exclusão ocorreu após decisão liminar da Justiça do Trabalho, que suspendeu temporariamente a inclusão da empresa no cadastro. O caso ganhou novo desdobramento com o afastamento do auditor ligado ao processo administrativo.
A BYD havia sido incluída na atualização semestral da lista, divulgada pelo Ministério do Trabalho no início de abril, por causa das investigações sobre as condições de trabalho na construção da fábrica da montadora em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. A inclusão ocorreu após tramitação administrativa concluída em duas instâncias. Dois dias depois, porém, a empresa recorreu à Justiça e conseguiu a retirada provisória do cadastro sob o argumento de que não mantinha vínculo empregatício direto com os operários envolvidos.
O caso teve origem em novembro de 2024, quando a Agência Pública revelou denúncias de infrações trabalhistas envolvendo quase 500 operários chineses contratados por empresas terceirizadas para atuar na obra da fábrica. A reportagem apontou jornadas exaustivas, alojamentos precários, falta de equipamentos de proteção e relatos de agressões físicas. Menos de um mês depois, o Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 163 trabalhadores em condições consideradas análogas à escravidão.
Em 2025, a BYD e as terceirizadas foram processadas pelo MPT por trabalho escravo e tráfico de pessoas. Já no início de 2026, a empresa fechou acordo com o órgão e pagou R$ 40 milhões por danos morais individuais e coletivos, sem admissão formal de culpa. Apesar disso, a inclusão no cadastro federal reacendeu o caso e abriu novo debate sobre responsabilização de empresas contratantes em casos envolvendo terceirização.
Além das denúncias trabalhistas, uma segunda investigação apontou que a empresa teria instalado câmeras em áreas administrativas e galpões de obra para monitorar funcionários, além de sistemas digitais de rastreamento interno para identificar o compartilhamento de informações. À época, a BYD afirmou que as medidas eram voltadas à proteção de segredos industriais e estavam dentro da legalidade. O caso segue em tramitação judicial e administrativa.
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