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Os acidentes envolvendo motocicletas continuam provocando impactos expressivos na rede pública de saúde da Bahia. Apenas em 2025, as internações relacionadas a essas ocorrências custaram cerca de R$ 148,6 milhões à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). O valor mostra um crescimento em relação aos anos anteriores. Em 2024, o custo chegou a R$ 138 milhões. Já em 2023, o estado registrou R$ 115,8 milhões em despesas hospitalares.

Além do impacto financeiro, os acidentes ampliam a pressão sobre hospitais de referência, serviços de urgência e unidades de terapia intensiva. Dessa forma, o cenário reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, conscientização no trânsito e segurança para motociclistas.

Regiões concentram maiores gastos hospitalares

Segundo o levantamento, a região Centro-Leste da Bahia, que engloba municípios como Feira de Santana, Serrinha e Itaberaba, liderou os gastos hospitalares nos últimos anos. Em 2025, a região registrou R$ 45,7 milhões em despesas, o equivalente a 30,7% do total estadual, apesar de concentrar cerca de 15% da população baiana.

Ao mesmo tempo, a região Leste, onde estão Salvador e municípios da Região Metropolitana, contabilizou aproximadamente R$ 36,9 milhões em gastos hospitalares. O valor representa 24,8% do total estadual.

O estudo também aponta que o custo médio de internação por paciente chegou a R$ 10.664,79. Esse valor inclui atendimentos de urgência e emergência, procedimentos cirúrgicos, permanência hospitalar e acompanhamento médico.

Além disso, o tempo médio de internação é de sete dias. Entretanto, nos casos mais graves, que exigem internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a permanência pode chegar a 15 dias.

Fotos: Leonardo Rattes / Saúde GovBA

Homens jovens representam maioria das vítimas

O perfil epidemiológico identificado no levantamento mostra predominância masculina entre os pacientes internados. Aproximadamente 81% das vítimas são homens, enquanto as mulheres representam cerca de 19% dos casos.

Segundo a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, a maior parte das vítimas é formada por homens jovens, com idade entre 18 e 40 anos. Muitos utilizam a motocicleta como instrumento de trabalho, principalmente motoboys, entregadores por aplicativo e mototaxistas.

Isso amplia muito o impacto social desses acidentes, porque não estamos falando apenas de uma internação. Estamos falando de afastamento do trabalho, perda de renda familiar, reabilitação prolongada e, muitas vezes, sequelas permanentes”, destaca a secretária.

Além das consequências físicas, os acidentes também provocam impactos emocionais importantes. “Muitos pacientes desenvolvem dor crônica, ansiedade, depressão e dificuldades de reinserção social e laboral”, afirma Roberta Santana.

Acidentes aumentam pressão sobre hospitais

Os reflexos desse cenário aparecem diariamente nas unidades de saúde do estado. No Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), por exemplo, cerca de 60% dos atendimentos regulados de urgência realizados a cada 30 dias têm relação com acidentes de trânsito. Dentro desse grupo, aproximadamente 40% envolvem motociclistas.

A diretora de Gestão de Serviços de Saúde, Zaine Lima, explica que os traumas causados por acidentes com motos costumam ser graves e complexos.

O HOEB registra frequentemente fraturas expostas de tíbia e fíbula, fraturas de fêmur, lesões graves na pelve e na coluna, além de amputações traumáticas. Muitos pacientes precisam passar por múltiplas cirurgias e longos períodos de recuperação”, ressalta.

Além disso, a gestora reforça que os acidentes mobilizam diferentes setores da rede pública de saúde. “O acidente de trânsito não ocupa apenas um leito. Ele envolve SAMU, regulação, emergência, centro cirúrgico, ortopedia, neurocirurgia, UTI, banco de sangue, fisioterapia e reabilitação. É um paciente de alta complexidade e alto custo assistencial”, pontua.

Maio Amarelo reforça ações de conscientização

Diante do aumento dos acidentes, especialistas defendem investimentos em educação no trânsito, fiscalização rigorosa e melhoria da infraestrutura viária. Além disso, o uso correto de equipamentos de proteção continua sendo fundamental para reduzir lesões graves.

Da mesma forma, o debate sobre as condições de trabalho dos profissionais que utilizam motocicletas diariamente ganhou ainda mais importância nos últimos anos.

Durante a campanha Maio Amarelo, voltada à conscientização para um trânsito mais seguro, o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA) promove uma série de atividades educativas em todo o estado. A programação inclui palestras, blitzes educativas, peças teatrais, workshops, encontros entre gestores e ações em escolas. Além disso, a campanha também incentiva a doação de sangue em parceria com a Fundação Hemoba.

Créditos Autor: Isabela
Créditos Imagens: Reprodução Internet

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