‘Nunca fui tão humilhado’: comissário vítima de racismo em voo fala pela 1ª vez

Reprodução/Redes sociaisChileno foi preso em Guarulhos durante escala para voltar da Alemanha para Santiago.

O comissário de bordo se manifestou neste domingo (24) sobre as ofensas, afirmando que nunca havia passado por insultos tão graves como os que foi alvo durante o voo entre Brasil e Alemanha em que trabalhava. “Eu nunca sofri tamanho achaque, tamanha humilhação. Eu fui aviltado, eu fui violado”, disse a vítima em entrevista ao Domingo Espetacular.

As agressões, que aconteceram na sexta-feira, 10 de maio de 2026, foram feitas por um passageiro chileno por meio de comentários racistas, homofóbicos e imitações. O agressor chamou a vítima de macaco, fez sons imitando o animal e disse que era um problema para ele o funcionário ser gay. O comissário segue afastado desde o episódio de violência. “Ele cometeu três crimes contra mim, que foram atrozes, que machucaram, que ferem a alma.”

A defesa do autor das agressões alega que seu cliente faz tratamento psiquiátrico, foi internado em 2013 e passa por estado de vulnerabilidade após a morte de seu irmão. Ele também contou que havia bebido no dia do voo e estava completamente desorientado. O chileno está preso preventivamente no Brasil desde que tentou voltar de Frankfurt após as ofensas, mas tenta pedido de transferência para unidade clínica.

O caso

As ofensas aconteceram três horas após a decolagem do avião do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Frankfurt, na Alemanha, e escala em Santiago, no Chile. De acordo com a vítima, as agressões começaram após ele tentar intervir ao ver o agressor discutir com outra comissária e tentar forçar a abertura de uma porta do avião.

Ele conta que, quando percebeu, o chileno já estava com a mão na alavanca de porta, e se colocou entre a passagem e o homem, momento em que começaram os ataques racistas, xenofóbicos e homofóbicos. Conforme o comissário, as ofensas se estenderam até que o agressor aceitasse retornar ao seu lugar

Ao voltar para o Brasil, a vítima denunciou o caso à Polícia Federal (PF), que prendeu o homem quando ele retornava da Alemanha e fez escala em São Paulo antes de embarcar para a capital do Chile na sexta-feira (15). Segundo a PF, ele foi preso por injúria racial e homofóbica aos tripulantes do voo. “Após a comunicação formal das vítimas à Polícia Federal, foi instaurado procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O indivíduo foi localizado e preso ao retornar de Frankfurt, em conexão no Brasil”. 

*com informações do Estadão Conteúdo





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