Especialistas afirmam que atividade ficou acima do esperado no 1º trimestre; alguns creditam desempenho ao pacote de benefícios do governo
O crescimento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) no 1º trimestre de 2026 consolidou entre economistas a avaliação de que a atividade brasileira começou o ano mais forte do que o previsto pelo mercado.
O resultado divulgado nesta 6ª feira (29.mai.2026) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou expansão disseminada entre agropecuária, indústria e serviços, além da recuperação do consumo e dos investimentos.
Entre os pontos em comum nas análises está a leitura de que a economia segue resiliente mesmo em um ambiente de juros elevados. Especialistas também destacam a força do mercado de trabalho, apesar da desaceleração recente, o avanço da renda e os estímulos fiscais como fatores que sustentaram a demanda doméstica.
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), afirmou que o dado reforça a resistência da atividade econômica.
“O número mostra uma economia ainda aquecida no curto prazo, sustentada pelo agro, pelo consumo e pelos estímulos do governo”, declarou.
Mercado vê atividade resiliente
A economista da SulAmérica Investimentos, Mariana Rodrigues, disse que o desempenho interrompeu um período de quase estabilidade da economia e deve levar o Banco Central a revisar projeções oficiais.
“Essa estimativa passa a carregar um claro viés de alta, convergindo para um cenário que ainda não havia sido incorporado pela autoridade monetária”, afirmou.
Carlos Lopes, economista do banco BV, avaliou que o resultado teve mais qualidade do que em trimestres anteriores por causa da força da demanda doméstica e do investimento privado.
“Foi um PIB reforçado aqui pelo bom desempenho local da economia”, disse.
Segundo ele, o aumento da poupança de parte das famílias ajudou a manter o consumo elevado mesmo em um ambiente de juros restritivos e inflação pressionada.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) destacou que o avanço da indústria ajudou a sustentar o resultado do trimestre. A entidade manteve a projeção de crescimento de 1,9% para o PIB em 2026.
O estrategista-chefe da GCB, Roberto Dumas, afirmou que o desempenho da atividade também refletiu medidas de estímulo adotadas pelo governo, mas avaliou que isso pode gerar efeitos futuros sobre juros e risco fiscal.
“Boas notícias no front da economia real, ainda que em grande parte estimuladas ou impulsionadas por benesses governamentais”, declarou.
André Caruso, CEO da Pilar Capital, disse que os números indicam melhora da atividade, especialmente em segmentos ligados ao mercado imobiliário, mas afirmou que o cenário ainda exige cautela por causa do custo do crédito.
“O PIB abre uma janela de oportunidade para o mercado imobiliário, mas o custo do dinheiro ainda exige prudência”, afirmou.
Economistas esperam desaceleração
Apesar da avaliação positiva sobre o resultado do trimestre, parte dos economistas vê desaceleração da economia nos próximos meses. A expectativa é de que os efeitos da taxa Selic em 14,75% ao ano reduzam o ritmo da atividade no 2º semestre.
Carlos Lopes afirmou que o trimestre atual já indica perda de força da economia.
“Os primeiros sinais para o 2º trimestre são de uma desaceleração importante, talvez um crescimento mais próximo de zero”, declarou.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o PIB cresceu 1,8%.
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