A Colômbia terá uma disputa polarizada no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 21 de junho. Com 99% das urnas apuradas, o advogado de ultradireita Abelardo de la Espriella conquistou 43,72% dos votos no primeiro turno, enquanto o senador de esquerda Ivan Cepeda alcançou 40,92%, garantindo vaga na etapa decisiva da corrida ao Palácio de Nariño.
O resultado consolida um cenário de forte divisão política no país e transforma a eleição em um referendo sobre o governo do presidente colombiano Gustavo Petro, primeiro líder de esquerda a comandar a nação sul-americana.
A campanha eleitoral foi marcada por episódios de violência que reacenderam preocupações sobre a segurança pública. Entre os casos mais graves estiveram ataques com carros-bomba, ações com drones e o assassinato do ex-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay, fato que elevou a tensão durante o processo eleitoral.
Apesar do clima de insegurança, as autoridades colombianas mobilizaram cerca de 408 mil agentes para garantir a realização da votação sem incidentes significativos.
Segurança domina o debate eleitoral
Apresentando-se como defensor de uma política de enfrentamento direto ao crime organizado, Abelardo de la Espriella construiu sua campanha com foco no combate aos grupos armados, ao narcotráfico e às organizações criminosas. O candidato, conhecido pelo apelido de “O Tigre”, afirmou que pretende adotar medidas mais duras contra guerrilhas e facções ligadas ao tráfico de drogas.
Inspirado em modelos de segurança implementados em países da América Latina, o advogado prometeu reforçar operações militares e policiais para recuperar áreas dominadas por grupos ilegais.
Do outro lado da disputa, Ivan Cepeda defende a continuidade de políticas sociais e aposta em ajustes na estratégia de pacificação iniciada durante o governo Petro. O senador tem como uma de suas principais bandeiras a redução das desigualdades e o fortalecimento de programas voltados à população de baixa renda.
Legado de Petro divide eleitores
O segundo turno também será influenciado pela avaliação da gestão de Gustavo Petro. Seus apoiadores destacam avanços sociais, aumento do salário mínimo, fortalecimento de direitos trabalhistas e políticas voltadas à distribuição de terras.
Já os críticos apontam que a estratégia conhecida como “paz total”, baseada em negociações com grupos armados e organizações criminosas, não conseguiu conter o avanço da violência em diversas regiões do país.
A Colômbia continua sendo o maior produtor mundial de cocaína, segundo organismos internacionais, e enfrenta desafios relacionados ao narcotráfico, à mineração ilegal e à atuação de grupos dissidentes em áreas afastadas dos grandes centros urbanos.
Direita tradicional fica fora da disputa
A senadora conservadora Paloma Valencia terminou a votação em terceiro lugar, com 6,92% dos votos, ficando fora do segundo turno. Aliada do ex-presidente Álvaro Uribe, ela defendia uma política de segurança semelhante à apresentada por De la Espriella.
Com o resultado, a disputa final será concentrada entre dois projetos distintos para o futuro da Colômbia. De um lado, uma plataforma de endurecimento no combate ao crime organizado. Do outro, a continuidade de uma agenda ligada ao campo progressista e ao legado político de Gustavo Petro.
A expectativa é que as próximas semanas sejam marcadas por uma intensa disputa em torno dos temas que mais preocupam os colombianos atualmente: segurança pública, narcotráfico, economia e estabilidade institucional.
Créditos Autor:
Créditos Imagens: Reprodução Internet
