Em 2º lugar, acho que precisamos ser muito mais transparentes sobre como realizamos nosso trabalho. Deixem que eles participem do processo. Uma das coisas que a Vice fazia muito bem era permitir que os espectadores acompanhassem o repórter durante toda a reportagem.
A 3ª questão, que nos leva ao problema do TikTok e do YouTube, é que realmente precisamos encontrar uma forma diferente de nos comunicarmos. Todos nós trabalhamos em empresas de comunicação, mas descobrimos que elas são muito ruins em se comunicar com o público da maneira como ele recebe informações hoje em dia.
Precisamos, sim, levar em conta a personalidade dos funcionários. Isso não significa se tornar um formador de opinião, mas sim ter a noção de que não se trata apenas de uma instituição, mas sim de seres humanos. Encontre maneiras de fazer isso, inclusive com vídeos curtos. Mesmo que você tenha uma longa investigação, há uma forma de dividi-la em partes e transformá-la em uma espécie de menu degustação. Vemos isso o tempo todo nas redes sociais. É um trecho de algo que desperta o interesse.
O que está acontecendo com os influenciadores é que eles comunicam autenticidade e, por comunicarem autenticidade, as pessoas acreditam que eles têm autoridade. Na mídia tradicional, sempre focamos na nossa autoridade —o processo de reportagem— que é a prioridade máxima. Não demos a devida atenção à autenticidade. Geralmente temos autoridade, mas as pessoas não nos dão o devido crédito por isso. Precisamos descobrir como fazer isto. Precisamos experimentar, essa é a natureza do nosso tempo.
Como você imagina que será a mídia tradicional daqui a 5 ou 10 anos —e o que isso significa para os jornalistas que desejam trabalhar neste meio?
Acho que a mídia vai ser muito diferente do que é hoje. Os veículos de comunicação serão definidos de forma mais restrita como instituições e terão missões mais específicas. Haverá muito mais deles. Não serão como a BBC —que cobre o mundo todo, um país inteiro ou mesmo uma região inteira. Suas missões serão “cobrir esportes em Boston” ou “cobrir política em Massachusetts”. Algo assim.
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