Candidato de esquerda tem só 27.517 votos a mais que a filha de Fujimori, que é de direita

O candidato Roberto Sánchez (Juntos por el Perú, esquerda) ultrapassou nesta 2ª feira (8.jul.2026) a oponente Keiko Fujimori (Fuerza Popular, direita) na contagem dos resultados do 2º turno das eleições presidenciais no Peru. Com 94,7% das urnas apuradas, o político abriu uma vantagem de 27.517 votos –marcando uma das disputas mais apertadas da história do país.

Desde o início da contagem, Keiko apresentava uma leve vantagem em votos. Com o avanço das apurações, Sánchez conseguiu virar o cenário, estando com 50,078 % dos votos contra 49,922% da oponente.

Quase todas as atas já foram contabilizadas dentro do território peruano, totalizando 97% dos registros. No entanto, a apuração de votantes do exterior segue em fase preliminar, com apenas 4% das urnas abertas. Matematicamente, ainda há chances de uma nova virada.

Até o momento, Keiko Fujimori domina os votos do exterior com cerca de 56,7% contra 43,2% de Sánchez. Restam 2.436 atas pendentes.

Sánchez, mesmo com a possibilidade de ser eleito, enfrenta pendências com a Justiça do país. Na 6ª feira (5.jun.2026), foi determinado que ele será levado a julgamento por omitir informações sobre o financiamento de seu partido em eventos realizados de 2018 a 2020.

A decisão não impede a participação de candidato na votação. Ainda cabe recurso contra a determinação judicial.

DISPUTA PRESIDENCIAL

As eleições do Peru são realizadas em um cenário de instabilidade política, que se arrasta no país por mais de uma década. De lados opostos, Keiko e Sánchez defendem políticas contrastantes.

O plano de governo de Sánchez propõe a redução de taxas de pobreza, medidas de apoio à agricultura familiar e descentralização econômica do país. O presidenciável tem como aliado o ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi Ministro do Comércio Exterior e Turismo.

Keiko é filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1938-2024), que governou o país de 1990 a 2000. As principais medidas prometidas pela candidata são o impulso à iniciativa privada –o que inclui o apoio a empreendedores e fintechs–, além de uma reforma previdenciária e tributária no país.

Desde 2016, o país teve 8 presidentes. Nesse período, 4 foram destituídos pelo Congresso, 2 renunciaram antes de enfrentar processos de destituição e 1 concluiu um mandato interino de 8 meses. Eis a lista:

  • Pedro Pablo Kuczynski – renunciou em 2018;
  • Martín Vizcarra – assumiu depois da renúncia de Kuczynski e foi destituído pelo Congresso;
  • Manuel Merino – ficou apenas 5 dias no cargo antes de renunciar;
  • Francisco Sagasti – conduziu o governo de transição;
  • Pedro Castillo – destituído após tentar dissolver o Congresso;
  • Dina Boluarte – assumiu após a saída de Castillo e foi posteriormente destituída;
  • José Jerí – assumiu após a saída de Boluarte e foi derrubado pelo Congresso;
  • José Balcázar – assumiu em fevereiro de 2026 e permanece até a posse do próximo presidente eleito.

Créditos Autor: Poder360 ·
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