Com 63% de chances de ser “muito forte”, fenômeno deve impactar o setor elétrico; resultados nas tarifas de energia vêm em 2027
Os impactos do El Niño sobre as tarifas de energia pagas pelos brasileiros podem ser sentidos em 2027, caso as projeções para o 2º semestre de 2026 se confirmem. O motivo é o efeito do fenômeno sobre as hidrelétricas, cujas reservas de energia acumuladas nos últimos 2 anos podem ser consumidas mais rapidamente. As projeções foram relatadas por meteorologistas ouvidos pelo jornal O Globo.
De acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, na sigla em inglês), há 63% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Se a projeção se confirmar, o evento poderá figurar entre os mais intensos desde 1950, o que aumenta o alerta sobre o consumo das reservas hídricas das usinas brasileiras.
A possibilidade de reajuste nas tarifas está ligada ao eventual acionamento das termelétricas. Essas usinas têm custo de operação superior ao das hidrelétricas e, quando acionadas em larga escala, levam à ativação das bandeiras tarifárias (amarela ou vermelha), com repasse direto ao consumidor.
No entanto, o Brasil tem uma situação energética confortável neste momento. Os reservatórios do Nordeste registram entre 95% e 100% da capacidade. No Sudeste e no Centro-Oeste, que concentram cerca de 70% do armazenamento do país, os níveis também seguem estáveis.
Para o meteorologista Alexandre Nascimento, sócio-diretor da consultoria Nottus, as reservas devem ser consumidas. “O grande problema fica para 2027”, afirmou.
O coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Nivalde de Castro, tem avaliação semelhante. “O preço da energia vai subir”, disse.
“Quando os reservatórios estão com níveis baixos, temos que acionar as termelétricas. Como custam mais caro, as bandeiras tarifárias são ajustadas. Mas o que me preocupa mesmo é o impacto inflacionário”, declarou Castro.
Apesar da maior participação das fontes solar e eólica na matriz elétrica, a intermitência dessas energias limita sua capacidade de substituir integralmente as hidrelétricas em períodos de pico de demanda.
Além do impacto tarifário, o fenômeno traz riscos estruturais. Tempestades severas no Sudeste e no Centro-Oeste podem danificar redes de distribuição. Já em 2027, uma estiagem prolongada pode elevar o risco de queimadas sob grandes linhas de transmissão, o que pode resultar em desligamentos e danos à infraestrutura.
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