O candidato governista Iván Cepeda anunciou na noite de domingo 21 que irá contestar os resultados de cerca de 33 mil mesas eleitorais e afirmou que só reconhecerá o resultado da eleição presidencial colombiana após a conclusão do escrutínio oficial, etapa prevista na legislação do país para validar o resultado das urnas.

A decisão ocorre depois de a apuração preliminar oficial indicar a vitória do candidato da extrema-direita Abelardo de la Espriella por menos de um ponto percentual de diferença. 

Segundo a pré-contagem, conhecida na Colômbia como preconteo, De la Espriella recebeu 49,66% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, uma vantagem de aproximadamente 240 mil votos. Apesar do resultado, Cepeda sustentou que a divulgação inicial não tem caráter oficial e informou que sua equipe de advogados acompanhará o escrutínio para questionar os resultados de milhares de seções eleitorais. 

Em pronunciamento, o candidato disse que seus observadores estão preparados para impugnar 33 mil mesas em todo o país e convocou os fiscais da campanha a acompanhar detalhadamente a verificação dos registros eleitorais. Segundo ele, o resultado só será reconhecido após a conclusão da contagem oficial. O montante representa pouco menos de 30% das mais de 100 urnas eleitorais do certame.

O presidente Gustavo Petro adotou posição semelhante e afirmou que apenas o escrutínio determina legalmente quem será o próximo presidente da Colômbia. “Obedeço aos juizes”, escreveu, via redes sociais.

A legislação colombiana prevê que o processo oficial de apuração comece no dia seguinte à eleição. Diferentemente do preconteo, que serve apenas para informar rapidamente o resultado da votação, o escrutínio possui validade jurídica e é conduzido por comissões formadas por juízes, tabeliães e outros funcionários eleitorais. Esses grupos analisam as atas originais das seções, verificam possíveis inconsistências, examinam recursos apresentados pelas campanhas e, em casos específicos, podem determinar a recontagem física dos votos em papel

Embora a formalização jurídica do resultado sempre dependa do escrutínio, é comum nas eleições colombianas que o derrotado reconheça o resultado ainda na noite do preconteo quando a vantagem se mostra incontestável. Óscar Iván Zuluaga reconheceu a derrota para Juan Manuel Santos ainda no domingo à noite, em 2014; Gustavo Petro reconheceu a vitória de Iván Duque na noite de 2018; e Rodolfo Hernández fez o mesmo diante de Petro em 2022.

Como funciona o voto na Colômbia

Na Colômbia, a votação é realizada exclusivamente por meio de cédulas de papel. Após o encerramento da votação, os jurados de cada mesa contam manualmente os votos, registram os resultados em formulários oficiais e transmitem essas informações para a autoridade eleitoral, formando a pré-contagem divulgada poucas horas depois do fechamento das urnas. Como esse procedimento está sujeito a erros de preenchimento ou transmissão, ele não serve para proclamar oficialmente o vencedor. 

Já o escrutinio consiste na conferência dos documentos físicos enviados por todas as mesas eleitorais. Representantes das campanhas acompanham o processo e podem apresentar impugnações quando identificam divergências, rasuras ou outras irregularidades. Somente após a análise de todos os recursos e a consolidação dos resultados pelo Conselho Nacional Eleitoral é que o vencedor é oficialmente declarado. 

Embora historicamente as diferenças entre a pré-contagem e o resultado oficial sejam pequenas – no primeiro turno, a variação ficou abaixo de 0,1% –, a margem reduzida entre os candidatos levou Cepeda a recorrer ao mecanismo previsto na legislação eleitoral. Enquanto isso, Abelardo de la Espriella já se declarou vencedor com base na apuração preliminar e recebeu manifestações públicas de apoio de aliados internacionais e lideranças da direita latino-americana. 

A eleição presidencial colombiana marcou o fim do ciclo de esquerda iniciado em 2022 com Gustavo Petro. De la Espriella, advogado e empresário de perfil conservador, venceu a pré-contagem defendendo uma agenda de endurecimento na segurança pública, combate às guerrilhas, redução do tamanho do Estado e aproximação com governos como os de Donald Trump, Javier Milei e Nayib Bukele.

A disputa foi uma das mais acirradas da história recente da Colômbia e permanece aberta até a conclusão do escrutínio oficial. 

Créditos Autor: Vinícius Nunes
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