O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou a atuação de grandes grupos econômicos no Senado, onde dificultam a tramitação da proposta que acaba com a jornada 6 por 1. As declarações foram feitas durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Citado por Boulos durante o programa, o ministro não poupou críticas ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, em uma movimentação contrária à aprovação da proposta que acaba com a jornada 6 por 1.
“Não tem justificativa para um mês uma pauta que interessa ao povo brasileiro, uma pauta aprovada por mais de 70% da população brasileira, está parada numa gaveta. Ao que parece, por interesses menores”, avalia.
“Nós estamos falando de dar tempo de descanso para as pessoas. Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão, de garantir que possam ter mais tempo com a sua família. Não foi por acaso que essa pauta ganhou força. Ela significa um grito de liberdade para o trabalhador brasileiro”, acrescentou.
Segundo Boulos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, “está errando feio”.
“Mais do que isso, ele está brincando com fogo. Você vê que tem uma atuação dos setores empresariais, das grandes associações empresariais, de maneira descarada para atacar o fim da escala 6 por 1”, afirmou.
De acordo com o ministro, essas entidades estariam praticando “terrorismo patronal”, ao dizer que, reduzindo a jornada, haveria aumento de preços ou que a economia não aguentaria o impacto.
“Gente, isso não cola mais. Isso não cola para ninguém. Temos estudos demonstrando que o fim da escala 6 por 1 tem efeitos [positivos] no varejo, comércio, serviços, como foi com os aumentos reais do salário-mínimo”, argumentou.
*Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil
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