É comum que muitas pessoas associem a perda gradual da visão ao envelhecimento. No entanto, embora a catarata faça parte do processo natural de envelhecimento do cristalino, a redução da capacidade de enxergar não deve ser encarada como algo inevitável. Com diagnóstico e tratamento adequados, é possível recuperar a visão e melhorar significativamente a qualidade de vida.
A catarata é a principal causa de perda visual reversível entre idosos. Felizmente, a cirurgia permite que muitos pacientes retomem atividades do dia a dia com mais segurança, autonomia e independência.
Segundo o oftalmologista Francisco Lima, especialista em catarata e glaucoma, um dos erros mais comuns é acreditar que a piora da visão faz parte da idade e, por isso, não exige investigação.
“Envelhecer é natural. Perder a visão por uma doença tratável não deve ser encarado como algo inevitável. Sempre que houver alteração persistente da qualidade da visão, o paciente deve procurar avaliação oftalmológica. Quanto mais cedo entendemos o que está acontecendo, melhores são as condições para indicar o tratamento no momento mais adequado.”
Quais são os primeiros sintomas da catarata?
Os sinais da catarata costumam surgir de forma lenta e progressiva. Por isso, muitas pessoas demoram a procurar ajuda.
Entre os principais sintomas estão:
- visão embaçada;
- maior sensibilidade à luz;
- dificuldade para dirigir durante a noite;
- necessidade frequente de trocar os óculos;
- redução da intensidade das cores;
- sensação de que os ambientes estão mais escuros.
Além disso, existe um sintoma pouco conhecido. Algumas pessoas voltam temporariamente a enxergar de perto sem os óculos de leitura, fenômeno conhecido como “segunda visão”. Apesar de parecer uma melhora, essa alteração também pode indicar a evolução da catarata.
É preciso esperar a catarata “amadurecer”?
Durante muitos anos, pacientes ouviram que era necessário esperar a catarata ficar “madura” antes da cirurgia. Atualmente, essa recomendação não faz mais sentido.
Segundo Francisco Lima, a indicação cirúrgica acontece quando a doença começa a comprometer a rotina do paciente.
“Hoje não esperamos a catarata ficar avançada. O momento ideal para operar é quando ela começa a comprometer a autonomia, a segurança ou a qualidade de vida do paciente. Quanto mais endurecido o cristalino se torna, maior pode ser a complexidade técnica do procedimento.”
Além do grau da catarata, o médico avalia o impacto da doença nas atividades profissionais, na leitura, na direção, no lazer e na independência do paciente. Dessa forma, a decisão é individualizada.
Cirurgia de catarata ficou mais rápida e segura
A cirurgia de catarata evoluiu bastante nas últimas décadas e hoje está entre os procedimentos mais seguros da medicina.
O procedimento é realizado por meio de microincisões, geralmente sem necessidade de pontos, com anestesia local e duração aproximada de dez minutos. Na maioria dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia e percebe melhora importante da visão entre 24 e 48 horas após a cirurgia.
Segundo o especialista, atualmente o tratamento também oferece benefícios além da retirada da catarata.
“Hoje buscamos oferecer uma reabilitação visual personalizada. Além de substituir o cristalino opacificado, a cirurgia permite corrigir diferentes graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e, em muitos pacientes, reduzir significativamente a dependência dos óculos. O planejamento é individualizado para atender às necessidades e ao estilo de vida de cada pessoa.”
Catarata afeta a autonomia e aumenta o risco de quedas
Como a doença evolui lentamente, muitos pacientes deixam de dirigir à noite, aumentam a iluminação da casa para conseguir ler ou trocam os óculos repetidamente sem perceber que o problema está na catarata.
Com o avanço da doença, tarefas simples passam a ser mais difíceis, como:
- reconhecer rostos à distância;
- usar o celular;
- identificar medicamentos;
- cozinhar;
- caminhar em ambientes pouco iluminados.
Além disso, a perda da visão aumenta o risco de quedas, fraturas, isolamento social e redução da independência, especialmente entre idosos.
Hábitos ajudam a preservar a saúde dos olhos
Embora a catarata relacionada ao envelhecimento não possa ser totalmente evitada, alguns cuidados ajudam a retardar seu aparecimento e preservar a saúde ocular.
Entre as principais recomendações estão:
- usar óculos com proteção contra raios ultravioleta;
- manter uma alimentação rica em antioxidantes;
- evitar o tabagismo;
- controlar adequadamente o diabetes;
- realizar consultas oftalmológicas periódicas, principalmente após os 40 anos.
Segundo Francisco Lima, os exames regulares também permitem identificar precocemente doenças silenciosas, como glaucoma e degeneração macular relacionada à idade, antes que provoquem danos irreversíveis à visão.
“As pessoas estão vivendo cada vez mais. O objetivo não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas preservar a qualidade da visão durante esse tempo. Em muitos casos, isso depende apenas de não aceitar a perda visual como uma consequência natural da idade e procurar avaliação no momento certo.”
Créditos Autor: Isabela
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