O câncer de laringe continua sendo um importante desafio para a saúde pública no Brasil. Um levantamento da iHealth Clinical Insights identificou 8.929 pacientes com diagnóstico, histórico ou investigação da doença em uma base composta por aproximadamente 3,26 milhões de pessoas atendidas entre 2021 e 2025. O número corresponde a 0,27% dos registros analisados e representa uma média de cerca de 977 pacientes acompanhados por mês.
Além de dimensionar a presença da doença, a pesquisa reuniu informações de 49 instituições de saúde distribuídas em 14 estados das cinco regiões brasileiras. Dessa forma, foi possível identificar características dos pacientes, fatores de risco, sintomas mais comuns e os principais tratamentos realizados ao longo da jornada de cuidado.
Homens e idosos concentram a maioria dos casos
Os dados mostram que os homens representam 66,8% dos pacientes identificados, enquanto as mulheres correspondem a 33,1%. Assim, o levantamento confirma o perfil epidemiológico já observado para o câncer de laringe.
Além disso, a maior concentração dos casos ocorreu entre pessoas de 60 a 79 anos, faixa etária que reúne 57% dos registros. Em seguida, aparecem pacientes entre 40 e 59 anos, responsáveis por 22% dos casos. Já pessoas com 80 anos ou mais representam 16,8%. Por outro lado, adultos de 18 a 39 anos correspondem a 3,7% dos registros, enquanto crianças e adolescentes somam apenas 0,4%.
Tabagismo lidera entre os fatores associados
Entre as condições clínicas registradas nos prontuários, o tabagismo aparece como o principal fator associado ao câncer de laringe. Segundo o levantamento, 54,3% dos pacientes apresentavam histórico de uso do cigarro.
Além do tabagismo, outras condições também surgem com frequência. Entre elas estão hipertensão arterial (43,7%), consumo excessivo de álcool (33%), diabetes mellitus (21,9%), anemia (12,2%), doença pulmonar obstrutiva crônica (11,8%), hipotireoidismo (11%) e ansiedade (10,2%).
Ao mesmo tempo, os pesquisadores identificaram registros de metástase em 9,6% dos pacientes, infarto agudo do miocárdio em 6,4%, acidente vascular cerebral em 5,8% e enfisema pulmonar em 5,2%. Esses dados evidenciam que muitos pacientes convivem com outras condições de saúde durante o tratamento.
Dificuldade para respirar e engolir estão entre os principais sintomas
A análise também revelou quais manifestações clínicas aparecem com maior frequência durante a jornada dos pacientes.
Em primeiro lugar está a dispneia, caracterizada pela dificuldade para respirar, presente em 35,5% dos casos. Em seguida aparecem a disfagia, que dificulta a deglutição (32,2%), a tosse (31,9%), o sangramento (24,7%), a odinofagia, ou dor ao engolir (23,7%), a rouquidão (20,3%), a disfonia (17,7%) e o aumento dos linfonodos, registrado em 13,9%.
Diante desse cenário, os sintomas demonstram que a doença compromete funções essenciais, como respirar, falar e se alimentar. Como consequência, a qualidade de vida dos pacientes pode ser significativamente afetada, principalmente quando o diagnóstico ocorre em fases mais avançadas.
Tratamento envolve exames frequentes e procedimentos de alta complexidade
O estudo mostra ainda que os pacientes passam por acompanhamento clínico constante. Por isso, exames laboratoriais fazem parte da rotina de monitoramento. Entre os mais realizados estão creatinina (60%), ureia (45,9%), TGP (33,4%), TGO (32,3%), TSH (28,6%) e INR (21,6%).
Além disso, os profissionais utilizam marcadores bioquímicos para complementar a avaliação clínica. O antígeno carcinoembrionário (CEA) aparece em 6,9% dos registros, seguido pelo Ki-67 (5,9%) e pela proteína P16 (3,4%).
No tratamento, a radioterapia foi registrada em 46,3% dos pacientes, enquanto a quimioterapia aparece em 44,7% dos casos. Além dessas terapias, os profissionais realizaram biópsia (40,2%), tomografia computadorizada de tórax (37,6%), tomografia de pescoço (33,4%) e laringoscopia (26,4%).
Nos casos mais complexos, também foram registrados procedimentos como traqueostomia (17,2%), ressecção cirúrgica (16%), laringectomia total (14,3%), esvaziamento cervical (9,9%) e gastrostomia (9,6%).
Por sua vez, entre os medicamentos mais citados estão morfina (17,7%), cisplatina (14%), omeprazol (9,5%), paclitaxel (9,2%), carboplatina (7%) e fentanil (6,7%). Esses medicamentos refletem tanto o tratamento oncológico quanto o controle da dor e de outras complicações associadas à doença.
Dados ajudam a compreender a jornada do paciente
De acordo com Karlyse C. Belli, diretora de Negócios e Dados da iHealth, analisar grandes volumes de informações clínicas permite compreender a trajetória completa dos pacientes.
“Quando avaliamos dados clínicos em larga escala, conseguimos observar não apenas a presença da doença, mas também os sintomas mais frequentes, as condições associadas, os exames realizados e os tratamentos empregados ao longo do cuidado. No caso do câncer de laringe, os resultados mostram uma jornada complexa, que envolve sintomas respiratórios, dificuldades de deglutição, múltiplas comorbidades e tratamentos de alta complexidade, reforçando a importância de abordagens integradas e baseadas em evidências”, afirma.
Por fim, especialistas destacam que o câncer de laringe permanece fortemente associado ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool. Nesse contexto, a prevenção, o abandono do cigarro e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais estratégias para aumentar as chances de sucesso no tratamento. Além disso, o uso de dados clínicos estruturados contribui para ampliar o conhecimento sobre o perfil dos pacientes, fortalecer a produção de evidências e orientar decisões assistenciais mais precisas.
Créditos Autor: Isabela
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