Texto não avançou no Senado; oposição cobra limites a Trump na guerra contra o Irã
Os democratas bloquearam na 3ª feira (14.jul.2026) o avanço de um projeto de US$ 1,15 trilhão (R$ 5,85 trilhões) que estabelece as diretrizes da política de defesa dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2027. A oposição condiciona o apoio ao texto à inclusão de limites à atuação do presidente Donald Trump (Partido Republicano) na guerra contra o Irã.
A NDAA (Lei de Autorização de Defesa Nacional, na sigla em inglês) recebeu 50 votos favoráveis e 46 contrários. Eram necessários 60 para que o Senado iniciasse a análise da proposta. Todos os democratas presentes votaram contra.
“Donald Trump não pode arrastar o povo norte-americano ainda mais para uma guerra que não consegue explicar e não sabe como terminar e, depois, exigir que o Congresso olhe para o outro lado”, declarou o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.
Segundo o jornalista Connor O’Brien, do Politico, os democratas afirmam que a NDAA não pode servir como uma autorização indireta para a continuidade dos ataques contra o Irã. O partido também contesta o aumento dos gastos militares proposto pela Casa Branca sem uma elevação equivalente dos recursos destinados a políticas internas.
A votação representa uma derrota para os republicanos, que tentavam avançar com a proposta de defesa alinhada à meta de Trump de elevar o orçamento militar para US$ 1,5 trilhão. Desse total, US$ 350 bilhões seriam aprovados separadamente em um projeto que pode passar só com votos republicanos.
A Casa Branca também pediu ao Congresso outros US$ 67 bilhões para cobrir os custos da guerra contra o Irã. Os bombardeios norte-americanos foram retomados depois do fim de um cessar-fogo, e Trump ameaçou atingir usinas de energia e pontes caso Teerã não volte às negociações.
A NDAA estabelece políticas militares, reajustes salariais e programas de aquisição de equipamentos, mas não libera diretamente os recursos. Entre as medidas defendidas pelos republicanos estão um aumento de 3,6% nos salários dos militares, investimentos em construção naval e o desenvolvimento de drones.
O líder republicano no Senado, John Thune, mudou seu voto de “sim” para “não” por uma razão regimental: a medida permite que ele peça uma nova votação posteriormente. Outros 4 senadores não participaram.
De acordo com o jornalista Yuval Rosenberg, do Yahoo Finance, o impasse é considerado incomum porque o Congresso aprovou a legislação de defesa nos últimos 65 anos, geralmente com apoio dos 2 partidos. O texto também enfrenta dificuldades na Câmara, onde congressistas da ala mais conservadora do Partido Republicano bloquearam sua tramitação no fim de junho.
Schumer afirmou que Trump iniciou o conflito sem autorização, estratégia ou plano de saída. Os republicanos, por sua vez, disseram que o bloqueio coloca disputas políticas acima da segurança nacional. Não há prazo para uma nova tentativa de votação.
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