A declaração do presidente Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai voltou a repercutir no cenário diplomático entre Brasil e Paraguai. A fala foi feita durante um evento voltado à área de Defesa, quando o presidente defendeu investimentos nas Forças Armadas e citou o conflito da Tríplice Aliança como exemplo da necessidade de o país estar preparado para proteger sua soberania.
No discurso, Lula afirmou que o Brasil não deseja guerras, mas lembrou que, no século XIX, o Paraguai invadiu territórios brasileiros, argumentando que o episódio demonstra a importância de manter as Forças Armadas equipadas e preparadas.
As declarações provocaram reação de parlamentares e autoridades paraguaias. O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, afirmou que a manifestação do presidente brasileiro tratou com excessiva simplicidade um dos episódios mais traumáticos da história paraguaia. Outros integrantes do Congresso também criticaram a interpretação apresentada por Lula sobre a origem do conflito.
Os parlamentares paraguaios destacaram que a Guerra da Tríplice Aliança, travada entre 1864 e 1870, resultou em perdas humanas e materiais devastadoras para o Paraguai. Estimativas históricas frequentemente apontam que o país perdeu cerca de 60% de sua população total e aproximadamente 90% da população masculina adulta durante o conflito, embora os números exatos variem entre historiadores.
A controvérsia surgiu após Lula mencionar que o Paraguai “decidiu invadir o Brasil”, referência à invasão de Corumbá e ao avanço das tropas paraguaias sobre territórios brasileiros e argentinos no início da guerra. Para integrantes do Parlamento paraguaio, a explicação desconsiderou fatores históricos e políticos que antecederam o conflito.
Essa guerra é considerada um dos conflitos mais marcantes da América do Sul e que ainda desperta forte sensibilidade nas relações entre Brasil e Paraguai.
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