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A vontade de formar uma família continua sendo um dos projetos mais importantes para muitas pessoas. Entretanto, o caminho até a paternidade deixou de seguir um único modelo. Hoje, graças aos avanços da medicina reprodutiva, homens com diferentes histórias, realidades e configurações familiares podem planejar a chegada dos filhos com mais segurança e acompanhamento especializado.

Com a proximidade do Dia dos Pais, o tema ganha ainda mais destaque. Além de homenagear quem já exerce esse papel, a data também convida à reflexão sobre as diferentes jornadas que antecedem o nascimento de um filho. Em muitos casos, esse processo envolve planejamento, informação e acesso às técnicas de reprodução assistida.

Segundo o especialista em reprodução humana do IVI Salvador, Dr. Agnaldo Viana, a medicina reprodutiva evoluiu para acompanhar as transformações da sociedade e passou a atender um público muito mais diverso.

“A medicina reprodutiva evoluiu para acompanhar as diferentes formas de construir uma família. Hoje conseguimos oferecer alternativas seguras e individualizadas para diversos perfis de pacientes. Mais do que tratar a infertilidade, nosso papel é ajudar pessoas a concretizarem um projeto de vida que passa pelo desejo de exercer a maternidade ou a paternidade.”

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Planejamento familiar vai além da infertilidade

Durante muitos anos, a reprodução assistida esteve associada principalmente aos casos de infertilidade. Atualmente, porém, esse cenário mudou. Cada vez mais homens procuram orientação antes mesmo de existir qualquer diagnóstico, pois desejam conhecer as possibilidades disponíveis para construir uma família no momento mais adequado.

Além dos casais heterossexuais com dificuldade para engravidar, os consultórios também recebem homens solteiros, casais homoafetivos e pacientes interessados em preservar a fertilidade para o futuro. Dessa forma, a reprodução assistida passou a integrar o planejamento familiar de diferentes perfis.

O que percebemos hoje é uma mudança importante de comportamento. Muitos homens procuram atendimento para entender quais são os caminhos disponíveis antes mesmo de iniciarem essa jornada. Eles querem planejar a paternidade com informação e segurança”, explica Dr. Agnaldo.

Além disso, o especialista destaca que buscar orientação antecipadamente permite avaliar cada caso de forma individualizada e amplia as possibilidades de escolha. Assim, o paciente consegue tomar decisões mais conscientes e adequadas ao seu momento de vida.

“A informação permite que cada paciente tome decisões com mais segurança e tranquilidade. Quanto mais cedo esse planejamento acontece, maiores costumam ser as possibilidades de encontrar a estratégia mais adequada para cada realidade.”

Um sonho construído ao longo de quase dez anos

Foi exatamente esse desejo que levou Ruan Gomes e Rafael Moreira ao consultório do especialista.

Juntos há quase dez anos, eles contam que sempre imaginaram construir uma família. O casal se conheceu na faculdade, quando Ruan cursava Engenharia Civil e Rafael estudava Biologia, curso que posteriormente trocou pela Odontologia.

“Sempre tive vontade de ser pai, desde muito antes de pensarmos nisso de forma concreta. O Rafael sempre foi mais ponderado, dizia que a gente precisava conquistar outras coisas primeiro, ganhar nosso espaço. Mas sempre tivemos isso muito claro: a paternidade fazia parte dos nossos planos”, lembra Ruan.

Com o passar dos anos, os dois consolidaram a vida profissional e conquistaram maior estabilidade. Então, decidiram que era o momento de transformar o sonho em realidade.

A partir dessa decisão, começaram uma jornada marcada por consultas, planejamento e muitas expectativas. Aos poucos, o projeto de ter um filho deixou de ser apenas um desejo distante e passou a fazer parte da rotina do casal.

Como a reprodução assistida tornou esse projeto possível

No caso de Ruan e Rafael, a equipe médica elaborou um tratamento personalizado para atender às necessidades do casal homoafetivo masculino.

O processo incluiu a Fertilização in Vitro (FIV), o uso de óvulos doados e a gestação por substituição, sempre de acordo com as normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina.

Ao todo, os especialistas fecundaram oito óvulos. Depois, seis evoluíram para blastocistos. Em seguida, três embriões passaram pelo teste genético pré-implantacional (PGT-A) e todos apresentaram resultado euploide.

Posteriormente, a equipe selecionou o embrião com melhor qualidade morfológica para a transferência embrionária. Dias depois, o exame de beta-hCG confirmou a gravidez.

“Foi um misto de alívio e felicidade, daquelas que dão vontade de chorar”, recorda Ruan.

Hoje, o casal vive a 12ª semana de gestação da filha, Clarissa, e acompanha cada etapa da gravidez com entusiasmo.

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A paternidade construída pelo afeto

Para Ruan e Rafael, toda a trajetória reforçou que não existe apenas uma forma de construir uma família. Na visão deles, o que realmente define a paternidade é o compromisso diário de cuidar, acolher e amar.

“Ser pai para a gente é ser amor, é ser um porto seguro na vida do outro, é ser amigo, é ser companheiro.”

Enquanto aguardam a chegada de Clarissa, eles também se preparam para viver o primeiro Dia dos Pais de uma maneira muito especial. Além disso, fazem questão de incentivar outros homens que compartilham do mesmo sonho.

“Não desistam. Confiem. Se essa vontade existe dentro de você, é porque já foi abençoada. Não existe motivo para pensar que você não merece ser pai.”

Tecnologia amplia oportunidades para diferentes famílias

Para o Dr. Agnaldo Viana, histórias como essa mostram que a reprodução assistida deixou de representar apenas uma solução para casos de infertilidade. Hoje, ela também atende pessoas que desejam planejar a maternidade ou a paternidade de acordo com seus projetos de vida.

Segundo o especialista, a evolução das técnicas tornou possível oferecer tratamentos cada vez mais personalizados. Ao mesmo tempo, o acesso à informação permitiu que mais pessoas conhecessem essas alternativas e buscassem orientação antes de iniciar essa jornada.

“Quando falamos em reprodução assistida, estamos falando sobre pessoas, histórias e projetos de vida. A tecnologia evoluiu muito, mas o que realmente move esse trabalho continua sendo o mesmo: ajudar famílias a nascerem. Independentemente da configuração familiar, o desejo de cuidar, amar e construir vínculos é o que define a paternidade”, conclui.

Onde encontrar atendimento especializado em Salvador?

Vale acrescentar que, do ponto de vista ético e médico, clínicas como o IVI e a Huntington Cenafert atendem casais homoafetivos masculinos utilizando protocolos que incluem FIV, doação de óvulos e gestação por substituição, conforme as normas do Conselho Federal de Medicina. Já no SUS, embora haja atendimento em reprodução humana em algumas regiões do país, a oferta para esse perfil específico de pacientes ainda é bastante limitada.

Créditos Autor: Isabela
Créditos Imagens: Reprodução Internet

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