O ministro Luís Felipe Salomão tomou posse nesta quarta-feira (19) como presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em cerimônia realizada em Brasília. Natural de Salvador, o magistrado é baiano de nascença e soteropolitano, embora tenha construído a maior parte de sua trajetória profissional no Rio de Janeiro. Ele comandará a Corte no biênio 2026-2028, tendo o ministro Mauro Campbell Marques como vice-presidente.
A nova gestão assume o tribunal com a missão de enfrentar o elevado volume de processos. Em seu discurso de posse, Salomão destacou a implementação do filtro de relevância para a admissão de recursos, mecanismo que busca reduzir a quantidade de processos analisados pelo STJ. A Corte recebeu cerca de 500 mil processos em 2025.
A expectativa é de que a nova sistemática provoque uma redução significativa no número de processos que chegam ao tribunal. Salomão afirmou que a implementação deverá ocorrer após a regulamentação interna do STJ, com previsão de funcionamento em setembro.
“O STJ está em ebulição, preparando-se para iniciar um novo tempo dentro do sistema de Justiça”, afirmou o novo presidente.
Baiano de nascimento
Nascido em Salvador, Salomão deixou a capital baiana ainda muito jovem, quando sua família se mudou para o Rio de Janeiro. Em entrevista ao jornal A Tarde, o ministro ressaltou seu vínculo com a cidade e afirmou, com orgulho, ser soteropolitano.
A trajetória profissional, entretanto, foi construída principalmente no Sudeste. Salomão formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atuou como promotor de Justiça em São Paulo e ingressou na magistratura fluminense, chegando ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em 2008, passou a integrar o STJ.
Antes de chegar à presidência da Corte, exerceu funções de destaque no Judiciário, entre elas a corregedoria nacional de Justiça e a participação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também presidiu comissões de juristas responsáveis por propostas relacionadas à arbitragem, à mediação e à reforma do Código Civil.
Tecnologia e Justiça
Durante a posse, Salomão também defendeu o uso de inteligência artificial e de novas ferramentas tecnológicas para aprimorar o funcionamento do Judiciário.
Segundo o ministro, a tecnologia deve estar a serviço da sociedade, acompanhada de investimentos na capacitação dos servidores, transparência e ampliação do acesso dos cidadãos à Justiça.
Outro ponto mencionado foi a atualização das custas judiciais na Justiça Federal. A medida, segundo Salomão, poderá contribuir para o reaparelhamento da estrutura do Judiciário e do próprio STJ.
A eleição de Salomão para a presidência ocorreu em abril, quando o Pleno do STJ escolheu, por unanimidade, o ministro para comandar a Corte no novo biênio. A escolha também definiu Mauro Campbell Marques para a vice-presidência.
A posse marca o encerramento da gestão do ministro Herman Benjamin e inicia uma nova etapa administrativa no tribunal, que terá entre os principais desafios a redução do congestionamento processual e a modernização dos serviços judiciais.
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