CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

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A saúde mental no ambiente de trabalho ganhou ainda mais atenção na Bahia diante do crescimento dos afastamentos por transtornos mentais. Dados do SmartLab BR, plataforma desenvolvida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostram que o estado passou de 5.020 benefícios previdenciários relacionados a transtornos mentais em 2014 para 15.189 em 2024.

O aumento representa uma alta de aproximadamente 203% em dez anos. O número de 2024 também é o maior registrado na série histórica analisada.

O cenário ganha relevância neste início de setembro, período marcado pelo Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio, valorização da vida e cuidado com a saúde mental. Embora nem todo transtorno mental esteja necessariamente relacionado ao trabalho, o ambiente profissional pode contribuir para o sofrimento emocional quando reúne fatores como excesso de demandas, pressão constante, assédio e falta de suporte.

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Pressão no trabalho pode afetar a saúde mental

O aumento dos afastamentos acompanha mudanças importantes na forma de trabalhar. Metas cada vez mais exigentes, jornadas intensas, insegurança profissional, dificuldade de desconexão e novas formas de organização do trabalho podem aumentar a exposição dos trabalhadores a situações de estresse.

Além disso, o assédio e a falta de apoio no ambiente profissional também aparecem entre os fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho.

Segundo a médica do trabalho baiana Ana Paula Teixeira, autora do livro Quando o Trabalho Dói, muitas empresas ainda associam produtividade principalmente à entrega de resultados, sem avaliar de forma adequada as condições que os trabalhadores enfrentam para alcançar essas metas.

“Bem-estar e segurança psicológica precisam ser entendidos como estratégias de gestão, e não apenas como exigências legais. Equipes saudáveis produzem melhor, permanecem mais engajadas e apresentam menor risco de adoecimento”, afirma Ana Paula Teixeira.

Para a médica, a prevenção passa por uma mudança na forma como as organizações lidam com seus funcionários. Revisar metas, combater práticas de assédio, melhorar a comunicação e criar espaços de escuta são medidas que podem contribuir para ambientes mais saudáveis.

Afastamento é apenas uma parte do problema

Os dados do SmartLab mostram a quantidade de benefícios previdenciários concedidos, mas o número não representa necessariamente todos os trabalhadores que enfrentam sofrimento mental.

Isso ocorre porque nem toda pessoa que apresenta sintomas ou desenvolve um transtorno precisa se afastar do trabalho. Muitos trabalhadores continuam exercendo suas atividades mesmo diante de ansiedade, estresse, depressão, esgotamento ou outros problemas de saúde mental.

Por isso, o crescimento dos afastamentos pode ser observado como um sinal de alerta sobre a dimensão do problema. Entre 2014 e 2024, os maiores registros anteriores ocorreram em 2020, com 8.443 benefícios, e em 2023, com 8.898. Em 2024, entretanto, o número chegou a 15.189.

Outro ponto que chama atenção é a concentração dos afastamentos em algumas atividades profissionais. No período de 2014 a 2024, bancos múltiplos com carteira comercial responderam por 21,8% dos registros, seguidos pela administração pública, com 14,1%, e pelas atividades de atendimento hospitalar, com 10,1%.

NR-1 amplia atenção aos riscos psicossociais

O tema também ganhou espaço nas normas de segurança e saúde do trabalho. Desde 26 de maio de 2026, entrou em vigor a nova redação do capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incluiu expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Na prática, a mudança reforça a necessidade de as organizações identificarem e avaliarem situações que podem prejudicar a saúde dos trabalhadores. O Ministério do Trabalho e Emprego cita, entre os exemplos de fatores de risco psicossocial, excesso de demandas ou sobrecarga, assédio e falta de suporte ou apoio no trabalho.

A atualização não significa apenas olhar para o trabalhador individualmente. O foco também está nas condições e na organização do trabalho.

O próprio Ministério do Trabalho e Emprego destaca que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais deve funcionar como um processo contínuo de identificação, avaliação e controle dos riscos presentes no ambiente profissional.

Além disso, a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT) 2026 adotou como foco a prevenção dos riscos psicossociais no trabalho. A iniciativa chama atenção para o crescimento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho e para a necessidade de fortalecer ações de prevenção.

Como identificar sinais de sofrimento emocional

A prevenção também depende da capacidade de reconhecer mudanças no comportamento dos trabalhadores. De acordo com Ana Paula Teixeira, alguns sinais merecem atenção, principalmente quando aparecem de forma persistente ou representam uma mudança significativa em relação ao comportamento habitual.

Entre eles estão:

  • isolamento ou afastamento do convívio com a equipe;
  • mudanças bruscas de comportamento;
  • alterações frequentes de humor;
  • queda de rendimento;
  • dificuldade de concentração;
  • irritabilidade;
  • cansaço constante;
  • aumento de faltas ou afastamentos;
  • perda de interesse pelas atividades.

Entretanto, identificar um sinal não significa fazer um diagnóstico. O acolhimento deve vir antes de julgamentos ou cobranças, e situações persistentes precisam ser avaliadas por profissionais habilitados.

Prevenção precisa fazer parte da rotina

Para Ana Paula, as empresas precisam trabalhar com prevenção antes que o sofrimento se transforme em afastamento.

Entre as estratégias estão a capacitação de lideranças para reconhecer sinais de sofrimento emocional, a criação de canais seguros e confidenciais de acolhimento e o acompanhamento dos riscos psicossociais.

A especialista também defende a construção de uma cultura organizacional baseada em escuta, respeito e segurança psicológica.

“Entre as medidas preventivas estão a capacitação de lideranças para identificar sinais de sofrimento emocional, a criação de canais confidenciais de acolhimento e a avaliação dos chamados riscos psicossociais”, explica.

A mudança, portanto, não depende apenas de iniciativas pontuais durante campanhas de conscientização. Saúde mental no trabalho exige ações permanentes, acompanhamento e responsabilidade compartilhada entre empresas, gestores e trabalhadores.

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Setembro Amarelo reforça importância do cuidado

O Setembro Amarelo amplia a discussão sobre saúde mental e prevenção do suicídio, mas o cuidado não deve ficar restrito ao mês de setembro.

No ambiente profissional, isso significa criar condições para que trabalhadores possam falar sobre sofrimento sem medo de represálias e para que situações de sobrecarga, violência ou assédio sejam identificadas e enfrentadas.

O Ministério da Saúde mantém orientações e informações sobre prevenção do suicídio e locais onde buscar ajuda. Em situações de sofrimento emocional intenso ou risco de suicídio, é importante procurar atendimento profissional e serviços de emergência.

O crescimento dos afastamentos na Bahia reforça que cuidar da saúde mental também significa discutir como o trabalho é organizado. Mais do que reagir quando o trabalhador adoece, empresas e instituições precisam atuar para reduzir os fatores que podem contribuir para o adoecimento.

 

 

 

 

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Créditos Autor: Isabela
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