CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

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Cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento. Algumas começam a andar mais cedo, enquanto outras precisam de mais tempo para desenvolver a fala, a coordenação motora ou determinadas habilidades sociais. Por isso, uma criança não deve ser considerada atrasada apenas porque ainda não faz algo que outra da mesma idade já consegue fazer.

Ainda assim, acompanhar o desenvolvimento infantil ajuda a identificar mudanças importantes ao longo do tempo. Habilidades relacionadas ao movimento, à linguagem, à aprendizagem, à interação e à autonomia aparecem progressivamente e servem como referências para famílias e profissionais de saúde.

O Ministério da Saúde orienta o acompanhamento do desenvolvimento infantil por meio da Caderneta da Criança, que reúne informações sobre crescimento, desenvolvimento, vacinação e outros cuidados desde o nascimento até os 9 anos. A ferramenta também ajuda os profissionais a registrar e acompanhar a evolução da criança ao longo das consultas.

Dúvidas como “meu filho já deveria estar falando?”, “é normal ainda não andar?” ou “por que ele não faz o que outras crianças da mesma idade fazem?” são frequentes entre as famílias. Para a fisioterapeuta e fundadora da Clínica Espaço Kids, Jamaica Araújo, a comparação com outras crianças não deve ser utilizada isoladamente para determinar se existe um atraso.

“Existe uma faixa de tempo para a aquisição de muitas habilidades, mas cada criança pode apresentar uma trajetória de desenvolvimento diferente. Isso é importante quando falamos de crianças com deficiência ou alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. Mais do que comparar uma criança com outra, precisamos observar sua evolução individual e identificar quando determinadas habilidades não aparecem, não evoluem como esperado ou quando há perda de uma capacidade que ela já havia adquirido”, explica Jamaica.

Imagem: Magnific

O que são os marcos do desenvolvimento?

Os chamados marcos do desenvolvimento são habilidades que a maioria das crianças conquista em determinadas fases da infância. Eles envolvem diferentes áreas, como movimento, comunicação, aprendizagem, comportamento e interação social.

Essas referências não funcionam como regras rígidas. Uma criança pode adquirir determinada habilidade um pouco antes ou depois da idade esperada. O acompanhamento serve, principalmente, para observar sua trajetória e perceber possíveis mudanças que mereçam uma avaliação.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), por exemplo, utiliza listas de marcos por idade para orientar famílias e profissionais. A organização ressalta que os indicadores representam habilidades que a maioria das crianças consegue realizar em determinada idade, e não padrões absolutos de desenvolvimento.

Primeiros meses exigem atenção aos sinais básicos

Nos primeiros meses de vida, os responsáveis podem observar aspectos como controle da cabeça, movimentos do corpo, contato visual, resposta aos estímulos, sorrisos e interação com os cuidadores.

Conforme o bebê cresce, novas habilidades aparecem. Ele começa a explorar objetos, movimentar-se mais, balbuciar, mudar de posição, sentar e demonstrar interesse crescente pelo ambiente e pelas pessoas ao redor.

Nesse período, o mais importante é observar a evolução. A ausência persistente de uma aquisição esperada ou a perda de uma habilidade que o bebê já havia conquistado merece atenção profissional.

Entre 1 e 2 anos, novas habilidades aparecem

No primeiro e no segundo ano de vida, as mudanças costumam ficar mais evidentes. A criança passa a explorar o ambiente com maior autonomia, desenvolver novas formas de comunicação e ampliar suas habilidades motoras.

Ficar em pé, caminhar, manipular objetos, compreender comandos simples, utilizar gestos para expressar necessidades e ampliar progressivamente o vocabulário são alguns dos aspectos observados nessa fase.

O caminhar costuma gerar muitas dúvidas entre os pais. Entretanto, não andar exatamente na mesma idade que outra criança não significa, sozinho, que exista um atraso. A avaliação precisa considerar o conjunto de habilidades e a evolução individual.

Aos 18 meses, por exemplo, diferentes marcos relacionados à comunicação, ao movimento e à interação já podem ser observados. O CDC mantém orientações específicas para essa faixa etária e recomenda que os responsáveis conversem com um profissional caso tenham preocupações sobre o desenvolvimento.

Dos 2 aos 5 anos, linguagem e autonomia ganham espaço

Conforme a criança cresce, as habilidades se tornam mais complexas. Falar, brincar, correr, pular, desenhar, manipular objetos, interagir com outras pessoas e realizar tarefas do cotidiano passam a fazer parte do acompanhamento.

A linguagem também ganha importância. A criança começa a ampliar o vocabulário, formar frases mais elaboradas e participar de conversas. Ao mesmo tempo, o brincar passa a envolver mais imaginação, interação e compreensão de regras simples.

Na parte motora, correr, pular, subir, descer, utilizar objetos e realizar atividades que exigem maior coordenação ajudam a acompanhar essa evolução.

Já a autonomia aparece gradualmente em atividades como comer, guardar brinquedos, vestir algumas peças de roupa e participar de tarefas simples do cotidiano.

Quais sinais merecem atenção?

Algumas dificuldades podem justificar uma investigação mais cuidadosa, principalmente quando persistem ou aparecem associadas a outros sinais.

Entre os aspectos que merecem atenção estão:

  • dificuldade importante para compreender ou utilizar a linguagem;
  • pouca evolução na comunicação;
  • dificuldades motoras significativas para sentar, andar, correr ou pular;
  • pouca evolução na coordenação das mãos;
  • dificuldade acentuada para interagir socialmente;
  • pouca autonomia em tarefas compatíveis com a idade;
  • ausência de progressão em determinadas habilidades;
  • perda de uma capacidade que a criança já havia adquirido.

A regressão do desenvolvimento merece atenção especial. Quando uma criança perde uma habilidade que já dominava, a família deve procurar orientação profissional.

Além disso, não é necessário esperar que vários sinais apareçam ao mesmo tempo. Uma preocupação persistente dos pais ou responsáveis já pode ser levada ao pediatra ou a outro profissional que acompanhe a criança.

O desenvolvimento precisa ser observado como um todo

Para Jamaica, analisar apenas uma habilidade pode dificultar a compreensão do desenvolvimento infantil.

“O desenvolvimento infantil acontece em várias áreas ao mesmo tempo. Uma dificuldade motora, por exemplo, pode interferir na maneira como a criança explora o ambiente e conquista autonomia. Da mesma forma, alterações na comunicação podem repercutir na interação e na aprendizagem. Por isso, quando existe uma suspeita ou quando a criança apresenta uma condição que exige acompanhamento especializado, o olhar precisa ser amplo e individualizado”, destaca.

Isso significa que uma dificuldade em determinada área não deve ser analisada de maneira isolada. Uma alteração motora, por exemplo, pode afetar a exploração do ambiente. Da mesma forma, dificuldades na comunicação podem interferir na interação e na participação em atividades.

Fatores de risco não significam necessariamente atraso

Algumas situações podem indicar a necessidade de um acompanhamento mais próximo do desenvolvimento. Entre elas estão prematuridade, intercorrências durante a gestação ou o nascimento, alterações auditivas ou visuais e algumas condições genéticas ou neurológicas.

A presença desses fatores, entretanto, não significa que a criança necessariamente apresentará atraso. O desenvolvimento depende de diferentes aspectos e precisa ser analisado individualmente.

Por isso, o acompanhamento regular permite identificar possíveis dificuldades e compreender melhor as necessidades de cada criança.

Quando procurar uma avaliação?

A preocupação da família já pode ser um motivo para conversar com um profissional de saúde. Buscar uma avaliação não significa antecipar um diagnóstico.

Durante o acompanhamento, o profissional pode observar diferentes áreas do desenvolvimento, conversar com os responsáveis e, quando necessário, solicitar avaliações complementares ou encaminhar a criança para outras especialidades.

O acompanhamento também permite identificar necessidades de estímulo ou intervenção de maneira mais precoce.

De acordo com Jamaica, crianças que apresentam alterações no desenvolvimento podem precisar do acompanhamento de diferentes profissionais, conforme suas necessidades. A atuação pode envolver áreas como fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, psicopedagogia e psicomotricidade.

A fisioterapeuta atua na Clínica Espaço Kids, onde acompanha crianças com alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. Segundo ela, a atuação conjunta entre diferentes áreas permite observar aspectos motores, de comunicação, comportamento, aprendizagem e autonomia de forma integrada.

“Procurar uma avaliação não significa antecipar um diagnóstico. Significa entender como aquela criança está se desenvolvendo, reconhecer suas potencialidades e verificar se ela precisa de algum estímulo ou acompanhamento específico. Quando conseguimos idenzztificar uma necessidade, podemos planejar estratégias individualizadas para favorecer a participação, a autonomia e o desenvolvimento da criança”, afirma Jamaica.

Imagem: Magnific

Acompanhar não é comparar

Observar o desenvolvimento infantil não significa transformar cada nova habilidade em uma cobrança. O objetivo é acompanhar a criança, reconhecer suas conquistas e perceber mudanças que possam precisar de atenção.

Por isso, dúvidas sobre fala, caminhada, interação ou coordenação não precisam ser respondidas apenas pela comparação com outras crianças.

Cada criança apresenta uma trajetória própria. Ainda assim, acompanhar os marcos, manter as consultas de rotina e procurar orientação diante de dúvidas são atitudes importantes para identificar possíveis necessidades e oferecer o suporte adequado.

A Caderneta da Criança, disponibilizada pelo Ministério da Saúde, também pode ajudar nesse acompanhamento. O documento reúne informações sobre saúde, crescimento e desenvolvimento e permite registrar diferentes etapas da infância.

 

 

 

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Créditos Autor: Isabela
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