CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

Tempo de Leitura: 5 minutos

Falar sobre saúde mental também é importante entre pessoas com 60 anos ou mais, especialmente diante das transformações que podem acontecer ao longo do envelhecimento. Aposentadoria, saída dos filhos de casa, perda de amigos ou do companheiro, mudanças na rotina e redução da vida social podem exigir adaptação e, em alguns casos, afetar o bem-estar psicológico.

Isso, no entanto, não significa que envelhecer esteja necessariamente associado ao sofrimento emocional. As experiências dessa fase são diferentes para cada pessoa, e mudanças na vida podem ser vivenciadas de maneiras distintas. O Ministério da Saúde destaca que o envelhecimento envolve aspectos físicos, funcionais, psicossociais e ambientais e não deve ser entendido apenas pela presença ou ausência de doenças.

Para o psicólogo Francisco Carlos Gomes, cofundador do canal Longidade, é importante compreender que envelhecer não significa necessariamente perder qualidade de vida, mas exige adaptação a novas circunstâncias.

“O envelhecimento é marcado por transições importantes e algumas delas podem gerar sentimentos de perda, inutilidade ou falta de perspectiva. Por isso, é fundamental que a pessoa tenha espaço para falar sobre o que está sentindo e possa construir novas formas de se relacionar com a própria vida”, explica.

Imagem: Magnific

Aposentadoria e mudanças familiares podem exigir adaptação

A aposentadoria, por exemplo, pode representar liberdade e uma oportunidade para novos projetos. Por outro lado, também pode provocar uma sensação de perda de identidade para quem associava grande parte da sua vida ao trabalho.

Da mesma forma, a saída dos filhos de casa pode exigir uma reorganização da dinâmica familiar. Já o falecimento de amigos ou do parceiro pode reduzir a rede de convivência e intensificar sentimentos de solidão.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também aponta transições como a aposentadoria e a perda do cônjuge ou de amigos como situações que podem aumentar a vulnerabilidade à saúde mental na velhice. A entidade ressalta, porém, a importância de atividades sociais significativas para a saúde mental e a qualidade de vida.

Assim, manter objetivos e projetos pessoais pode ser um importante aliado para um envelhecimento com mais qualidade. Aprender algo novo, praticar uma atividade física, viajar, retomar um hobby, participar de grupos ou desenvolver novos interesses são exemplos de iniciativas que ajudam a estabelecer uma rotina com significado.

Ter propósito não significa buscar grandes realizações

Para algumas pessoas, a reorganização da rotina depois da aposentadoria ou de outras mudanças pode abrir espaço para interesses que antes ficavam em segundo plano. O propósito, nesse contexto, não precisa estar relacionado a grandes conquistas.

“Ter propósito não significa necessariamente buscar grandes realizações. Pode estar relacionado a pequenas metas, como aprender uma nova atividade, cuidar de um jardim, participar de um grupo ou manter um compromisso social. O importante é que a pessoa tenha motivos para se levantar todos os dias e perceba que ainda existem coisas que despertam seu interesse e fazem sentido para ela”, afirma Francisco.

A proposta também pode envolver manter vínculos sociais e criar oportunidades de convivência, especialmente quando mudanças na rotina reduzem o contato com outras pessoas.

A OMS considera a solidão e o isolamento social fatores que podem prejudicar a saúde física e mental das pessoas idosas. A entidade também destaca que conexões sociais de qualidade são importantes para a saúde e a qualidade de vida. OMS — isolamento social e solidão entre pessoas idosas

Solidão é diferente de estar sozinho

Outro ponto de atenção é a solidão, que não deve ser confundida simplesmente com o fato de morar ou passar algum tempo sozinho. Uma pessoa pode viver sozinha e manter uma vida social satisfatória, enquanto outra pode estar cercada de familiares e ainda assim se sentir isolada.

Para o psicólogo, a diferença está principalmente na forma como essa condição é vivenciada.

“Estar sozinho pode ser uma escolha e até proporcionar momentos importantes de descanso e reflexão. O problema aparece quando existe um sentimento persistente de desconexão, falta de pertencimento ou ausência de pessoas com quem compartilhar experiências e emoções. Nesse cenário, é importante observar mudanças de comportamento e buscar ajuda”, alerta.

Por isso, o isolamento social não deve ser avaliado apenas pela quantidade de pessoas ao redor, mas também pela qualidade das relações e pela forma como a pessoa vivencia sua rotina.

Quais sinais merecem atenção?

Familiares e amigos também têm um papel importante na identificação de possíveis sinais de sofrimento emocional. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, alterações no sono ou no apetite e falas recorrentes sobre falta de sentido ou desesperança merecem atenção e avaliação profissional.

Esses sinais, entretanto, não significam sozinhos que a pessoa tenha depressão, ansiedade ou outro transtorno mental. Eles indicam uma mudança que merece ser observada e, dependendo do caso, avaliada por um profissional de saúde.

O Ministério da Saúde orienta que alterações no comportamento de uma pessoa idosa também podem estar relacionadas a questões físicas. Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto de sintomas, o histórico e as condições de saúde da pessoa. Ministério da Saúde — saúde mental da pessoa idosa

A própria pasta orienta atenção a manifestações como desânimo, tristeza, desesperança e perda de interesse ou prazer, além de fatores como alterações do sono, dor crônica e isolamento social. Quando esses sinais estão presentes, uma avaliação clínica complementar pode ser necessária.

Imagem: Magnific

Onde buscar ajuda

Não é necessário esperar que o sofrimento se torne intenso para procurar atendimento. A pessoa pode buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e orientação, e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) também fazem parte da rede pública de cuidado em saúde mental.

Em situações de emergência ou de risco imediato, a orientação do Ministério da Saúde é procurar uma UPA, pronto-socorro ou hospital ou acionar o SAMU pelo 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo 188.

O cuidado também pode envolver a participação de familiares e pessoas próximas, principalmente quando há mudanças importantes na rotina ou no comportamento.

“Falar sobre saúde mental na longevidade é também falar sobre qualidade de vida. Não devemos esperar que o sofrimento se torne intenso para procurar ajuda. Ter uma rede de apoio, manter vínculos sociais, cultivar interesses e contar com acompanhamento profissional quando necessário são atitudes que podem contribuir para um envelhecimento mais saudável e significativo”, conclui Francisco Carlos.

 

 

 

 

 

Transparência editorial: Conteúdo produzido e revisado pela equipe do  ComSaúde Notícias, com apoio de inteligência artificial em recursos visuais, organização e checagem de informações. A apuração e a responsabilidade editorial são do Portal.

Créditos Autor: Isabela
Créditos Imagens: Reprodução Internet

Fonte: Clique aqui