Feira de Santana, no interior da Bahia, tinha 79.445 pessoas com 60 anos ou mais em 2022, o equivalente a 12,89% da população municipal, segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em levantamento local. O cenário evidencia a importância de discutir como garantir assistência à população idosa e apoiar as famílias que precisam conciliar trabalho, rotina doméstica e cuidados.
Conhecida como um importante entroncamento rodoviário e o quarto maior polo comercial da Bahia, a cidade enfrenta o desafio de responder às necessidades de uma população que envelhece. Nesse contexto, o cuidado com pessoas idosas envolve questões como acompanhamento, mobilidade, autonomia e segurança, além da organização das famílias para oferecer assistência no dia a dia.
O envelhecimento populacional também abre espaço para discutir a atuação de profissionais especializados e a oferta de serviços voltados à longevidade. Entretanto, o aumento da população idosa, por si só, não comprova uma expansão do mercado local de cuidadores: ele indica uma necessidade crescente de atenção às demandas desse público.
Envelhecimento populacional muda a rotina das famílias
Os dados demográficos mostram uma transformação no perfil da população de Feira de Santana. Em 2010, as pessoas com 60 anos ou mais representavam aproximadamente 8,7% dos moradores do município. Em 2022, essa proporção chegou a cerca de 12,9%, segundo informações do Censo Demográfico.
A mudança acompanha uma tendência nacional de envelhecimento populacional, mas também apresenta desafios específicos para uma cidade que concentra atividades comerciais, serviços e circulação de pessoas de diferentes municípios do interior baiano.
Com as mudanças na composição das famílias e nas rotinas de trabalho, nem sempre os parentes conseguem oferecer acompanhamento integral às pessoas idosas. Em muitos casos, a assistência exige tempo para acompanhar consultas, auxiliar na mobilidade, observar necessidades cotidianas e contribuir para a manutenção da autonomia.
A dificuldade de conciliar essas responsabilidades com o trabalho e outras tarefas domésticas reforça a importância de discutir alternativas de cuidado. Entre elas, estão os serviços prestados por profissionais capacitados, que podem auxiliar as famílias na organização da rotina e na assistência às pessoas idosas.
Para Karina Daltro, franqueada da Cuidare em Feira de Santana e enfermeira com mais de 20 anos de experiência, a formação dos profissionais é um aspecto importante desse atendimento.
“O foco é trabalhar com técnicos em enfermagem o que garante a expertise necessária para fazer um direcionamento em situações de urgência e um maior conhecimento de práticas de segurança” ressalta.
A declaração destaca a importância do conhecimento técnico para lidar com situações que exigem atenção e segurança. A atuação de profissionais capacitados pode contribuir para orientar a assistência, respeitando as necessidades de cada pessoa idosa e os limites das atribuições de cada profissional.
A informalidade no mercado de cuidadores de idosos
Em Feira de Santana, algumas famílias recorrem a parentes, conhecidos ou pessoas de confiança para auxiliar nos cuidados com idosos. Essa alternativa pode fazer parte da organização familiar, mas também levanta questões sobre a preparação de quem assume a responsabilidade e sobre o reconhecimento do trabalho de cuidado como um serviço especializado.
Nem sempre as famílias consideram necessária a contratação de um cuidador profissional. Em determinadas situações, a proximidade com a pessoa que presta assistência pesa na decisão, enquanto os conhecimentos técnicos e as responsabilidades envolvidas no trabalho recebem menos atenção.
O cuidado cotidiano pode exigir disponibilidade, atenção às necessidades individuais e preparo para reconhecer situações que demandam ajuda especializada. Quando essas tarefas ficam concentradas em familiares ou pessoas sem orientação adequada, a rotina pode se tornar mais difícil de administrar.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, ajuda a dimensionar essa realidade no país. Em 2019, 5,1 milhões de pessoas cuidavam de parentes com 60 anos ou mais, ante 3,7 milhões em 2016. Os números se referem às pessoas que realizavam esse tipo de cuidado, e não ao total de famílias.
A responsabilidade de acompanhar uma pessoa idosa pode provocar mudanças na rotina, cansaço emocional e sobrecarga, sobretudo quando o familiar precisa conciliar a assistência com emprego e outras obrigações. Por isso, discutir o cuidado também significa considerar as necessidades de quem cuida.
Karina Daltro avalia que o reconhecimento do trabalho profissional ainda representa um desafio.
“Essa área é muito voltada para uma pessoa conhecida ou um familiar. Ainda não temos a valorização do serviço. O trabalho deve ser enxergado não pelo preço, mas pelo valor”, afirma.
A fala chama a atenção para a diferença entre o custo de contratar um serviço e o valor do trabalho realizado. A assistência envolve tempo, responsabilidade e conhecimento, fatores que precisam entrar na discussão sobre as condições de cuidado oferecidas à população idosa.
Profissionais especializados podem apoiar o cuidado familiar
A contratação de profissionais especializados pode ajudar a distribuir as responsabilidades entre familiares e cuidadores. Essa alternativa não elimina a participação da família, mas pode oferecer apoio na rotina e ampliar o tempo disponível para outras atividades.
O tipo de assistência necessário varia conforme a autonomia, as condições de saúde e as necessidades de cada pessoa idosa. Por isso, as famílias precisam avaliar quais tarefas exigem acompanhamento profissional e buscar serviços compatíveis com a situação.
A presença de um cuidador também pode contribuir para que os familiares organizem melhor seus compromissos. No entanto, a escolha do serviço deve considerar a qualificação dos profissionais, as atividades oferecidas e os limites de atuação de cada trabalhador.
Nesse cenário, a discussão sobre cuidados especializados envolve não apenas a prestação de assistência, mas também a qualidade do atendimento, a segurança e o respeito à autonomia da pessoa idosa.
Empreendedorismo e serviços voltados à longevidade
O envelhecimento populacional também coloca em evidência oportunidades de empreendedorismo relacionadas à longevidade. Serviços de acompanhamento e assistência podem atender a necessidades de famílias que encontram dificuldades para conciliar o trabalho com os cuidados cotidianos.
Ainda assim, a dimensão desse mercado em Feira de Santana exige dados específicos sobre a oferta de serviços, a contratação de profissionais e a procura por assistência. O crescimento da população idosa sinaliza uma demanda potencial, mas não permite afirmar, isoladamente, que o setor já registra expansão econômica no município.
Para Karina Daltro, a disponibilidade de profissionais pode ajudar as famílias a lidar com as exigências do cuidado.
“Hoje, todos nós estamos muito voltados para o trabalho. Essa possibilidade de estar lá em tempo integral, dar estímulo, estar ao lado, fica prejudicada. Oferecemos não só o cuidado, mas tempo de qualidade para a família”, comenta Daltro.
A declaração reforça a importância de considerar o impacto do cuidado sobre a organização familiar. Além da assistência à pessoa idosa, a contratação de um serviço pode ajudar a distribuir tarefas e responsabilidades, desde que o atendimento corresponda às necessidades de quem recebe os cuidados.
Diante do envelhecimento populacional, Feira de Santana tem o desafio de ampliar o debate sobre assistência, autonomia e qualidade de vida na velhice. A discussão envolve famílias, profissionais, serviços especializados e políticas públicas capazes de responder às necessidades de uma população cada vez mais longeva.
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