Política

O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu manter sob sua responsabilidade as investigações sobre o banco Master, enquanto devolveu ao ministro André Mendonça o inquérito que apura fraudes em descontos do INSS. A retenção do caso Master é vista como freio estratégico para evitar que o relator original avance sobre investigações que podem atingir colegas de tribunal.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, decidiu manter sob sua responsabilidade as investigações sobre o banco Master, enquanto devolveu ao ministro André Mendonça o inquérito que apura fraudes em descontos do INSS. A decisão foi tomada em meio a uma crise entre ministros da Corte, após atritos entre Mendonça e Alexandre de Moraes. Fachin considerou que o caso Master envolve questões institucionais pendentes e riscos à imagem do tribunal.

Entenda a divisão dos casos

O caso do INSS foca em fraudes contra aposentados e envolve figuras políticas externas, como o filho do presidente Lula. Já o caso Master é muito mais sensível para o tribunal, pois relatórios da Polícia Federal mencionam diretamente conversas e relações de proximidade entre o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, e diversos ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes.

Fachin devolveu o caso do INSS por considerar que não há mais justificativa para mantê-lo na presidência, mas reteve o Master por envolver questões institucionais pendentes e riscos à imagem da Corte.

A retenção do caso Master na presidência serve como um freio estratégico para evitar que o relator original, André Mendonça, avance sobre investigações que podem atingir seus próprios colegas de tribunal. Juristas explicam que, ao manter os autos com ele por até 90 dias, Fachin ganha tempo para o ambiente interno esfriar e para que o plenário decida como tratar menções a integrantes da cúpula do Judiciário.

Crise entre ministros

O atrito teve início quando Mendonça, durante as apurações, identificou mensagens no celular de um investigado que indicavam pedidos de orientação e intercessão junto a autoridades feitos a um número atribuído a Alexandre de Moraes. Em resposta, Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade e direcionamento das investigações. Diante dessa crise entre dois integrantes da mesma Corte, Fachin ‘puxou’ os processos para a presidência em setembro de 2026.

Recentemente, a PGR afirmou que não encontrou irregularidades na conduta de Mendonça, o que permitiu a devolução de parte do caso. No entanto, o caso Master permanece com Fachin, que aguarda a conclusão de um relatório da Polícia Federal e o fim de um pedido de vista do ministro Flávio Dino, o que deve ocorrer apenas no final do ano de 2026.

O que dizem os juristas

Para especialistas ouvidos pela reportagem, a decisão de Fachin é uma medida de cautela para preservar a estabilidade do tribunal. Ao reter o caso Master, o presidente evita que o relator original, André Mendonça, prossiga com diligências que possam expor ministros da Corte. A expectativa é que, após o período de 90 dias, o plenário do STF decida como tratar as menções a integrantes da cúpula do Judiciário.

Além disso, a conclusão do relatório da Polícia Federal e o fim do pedido de vista de Flávio Dino são aguardados para o final de 2026. Até lá, o caso permanece sob a guarda de Fachin, que poderá decidir os próximos passos ou encaminhar a questão ao plenário.

Próximos passos

Com a devolução do caso do INSS a Mendonça, as investigações sobre fraudes contra aposentados devem prosseguir sob a relatoria do ministro. Já o caso Master segue na presidência do STF, aguardando definições internas. A fonte não detalhou se haverá novas manifestações de Fachin antes do prazo de 90 dias.

O Portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos dessa crise no Supremo Tribunal Federal e trará novas informações assim que disponíveis.

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Créditos Autor: Redação BnT
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