Migração de empresários brasileiros para o Paraguai atrai pela baixa tributação, mas crise bancária levanta dúvidas sobre a segurança dos investimentos.
A migração de empresários brasileiros para o Paraguai costuma ser apresentada como uma demonstração de que o país vizinho descobriu a fórmula para atrair investimentos. Impostos menores, legislação trabalhista menos onerosa, energia competitiva e menos burocracia formam uma combinação que, aos olhos de quem empreende no Brasil, parece um verdadeiro paraíso empresarial. Mas é preciso separar oportunidade de segurança.
O Paraguai tem aproximadamente US$ 49 bilhões de PIB, enquanto o Brasil ultrapassa US$ 2,2 trilhões. São economias incomparáveis em dimensão, mercado consumidor, infraestrutura e sistema financeiro.
O empresário brasileiro quer produzir mais, pagar menos impostos e ampliar sua margem de lucro. É legítimo! O problema é imaginar que uma carga tributária menor, por si só, representa um ambiente econômico mais seguro.
A recente crise bancária paraguaia, envolvendo a financeira Ueno, com investigação criminal, questionamentos sobre a supervisão financeira e a saída do presidente do Banco Central, trouxe à tona justamente essa discussão. A instabilidade institucional tem consequências sobre a confiança, o crédito e os investimentos.
Não se trata de desqualificar o Paraguai, que apresenta crescimento econômico e avanços na atração de capital. Trata-se de reconhecer que um país em expansão também carrega riscos e limitações que não podem ser ignorados.
O Brasil tem seus problemas conhecidos: tributação complexa, burocracia, juros e custos elevados. Mas também oferece um mercado gigantesco, instituições financeiras consolidadas e uma estrutura econômica que não se constrói da noite para o dia.
O capital procura rentabilidade, mas precisa de garantias. Afinal, de que adianta economizar nos impostos se, diante de uma crise, a segurança do investimento fica em dúvida?
O Paraguai pode ser uma oportunidade de expansão. Transformá-lo em modelo absoluto de desenvolvimento, porém, é outra história.
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