Direita tradicional se une ao bolsonarismo no Distrito

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Direita tradicional se une ao bolsonarismo no Distrito

Realizada no final de março, a troca partidária do senador do DF Izalci Lucas do PSDB para o Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro exemplifica um movimento de enfraquecimento da direita tradicional e o fortalecimento da extrema direita no Distrito Federal.

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O senador mira o Palácio do Buriti em 2026, mas vai disputar espaço com ao menos duas outras figuras no campo bolsonarista, a senadora Damares Alves (Republicanos) e a vice-governadora Celina Leão (PP) – que pode ser governadora durante o pleito, caso o governador Ibaneis Rocha (MDB) dispute uma das duas vagas ao Senado Federal.

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Esse processo de esvaziamento da direita tradicional e fortalecimento da extrema direita é um processo que vem ocorrendo em todo Brasil e também em outros países, como destaca a cientista política Michelle Fernandez, professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (IPOL/UnB).

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“Aqui no DF a gente tem, historicamente, a direita como um grupo forte nesse processo de conseguir votos, com vários ex-governadores de direita, mas nos últimos anos vem se estabelecendo no país e aqui em Brasília vários nomes, que estavam compondo o governo Bolsonaro”, analisou a pesquisadora.

“A extrema direita efetivamente tem um espaço político no DF e nada mais natural que os políticos que estavam localizados numa direita mais moderada façam esse movimento de transição”, destacou Michelle ao falar sobre a migração de Izalci para o PL.

Para a cientista política, o DF tem sido um reduto político da extrema direita, sobretudo nas eleições majoritárias. Nas eleições de 2022 Bolsonaro e Ibaneis conquistaram mais de 50% dos votos já no primeiro turno e Damares Alves foi eleita senadora com quase 45% dos votos brasilienses.

Izalci afirmou ainda que a principal razão para a troca de legenda é fortalecer a oposição ao presidente Lula (PT) no Congresso Nacional. Principal partido de oposição, o PL se torna a segunda maior legenda do Senado com 13 parlamentares, atrás apenas do PSD com 15.

“Sem radicalismo”

Apesar da filiação ao PL, Izalci disse em entrevista ao Brasil de Fato DF que não deve mudar sua linha de atuação no Senado Federal. “Continuarei defendendo os princípios que eu sempre defendi, que são os mesmos do partido [PL]. Pela experiência, pela relação, a gente vai fazer isso com muita propriedade, sem radicalismo, mas com convicção daquilo que a gente acredita e defende”, prometeu. Em 2023, o senador votou pela eliminação das cotas raciais, é dele também a autoria de um projeto de lei que pretende rediscutir o ‘decreto da exclusão’ para pessoas com deficiência.

O senador, que foi eleito em 2018 com 403 mil votos, concorreu ao governo do DF nas Eleições de 2022 e ficou em sexto lugar na disputa com pouco mais de 70 mil votos. Ele confirmou que vai trabalhar para se viabilizar dentro de seu novo grupo para ser candidato a governador em 2026, mas outros nomes do grupo trabalham com o mesmo intuito.

Bolsonarista de carteirinha

Apoiadora de Jair Bolsonaro, a vice-governadora Celina Leão (PP) foi uma das figuras que marcaram presença no ato organizado pelo ex-presidente no dia 25 de fevereiro em São Paulo. Já o governador Ibaneis Rocha, que se aliou a Bolsonaro desde 2018, faltou ao evento. “Hoje é um dia emblemático e muito importante para todo o Brasil, a defesa pela liberdade e pluralidade de ideias é salutar para o Estado Democrático de Direito. O respeito às instituições, à ordem pública e ao livre manifesto de ideias deve ser assegurado”, disse a vice-governadora nas redes sociais, local onde tem realizado diversas manifestações de apoio à família Bolsonaro.

Por outro lado, Celina tem comparecido em diversos eventos do governo federal, com a presença do presidente Lula, como representante do GDF, como, por exemplo, na cerimônia de lançamento dos novos Institutos Federais no Palácio do Planalto, em março.

“Ela [Celina] vem ganhando mais notoriedade nesse governo Ibaneis. Ela vem aparecendo mais publicamente, ocupando espaços na cena pública que seriam do governador. Ele vem dividindo esse espaço com ela. Isso também indica que ela possa ter mais possibilidades em razão da notoriedade que vem ganhando”, avaliou Michelle Fernandez, que diz que é cedo para avaliar o que vai acontecer, mas não descarta um racha no campo bolsonarista do DF em 2026.



Ciro Nogueira (presidente do PP) e Celina Leão em ato bolsonarista em SP / Celina Leão/Divulgação

“Eles tem vários interesses divergentes”

Para o líder da oposição na Câmara Legislativa, deputado distrital Gabriel Magno (PT), a direita tradicional do DF selou de vez uma aliança com o bolsonarismo. “Eles entenderam que não tem margem para disputar uma eleição com a esquerda pelo centro, que o único jeito é pela extrema direita. Então, a Celina, o governador Ibaneis e agora o Izalci cada dia que passa se aproximam mais da extrema direita bolsonarista”, avaliou.

No entanto, o deputado destacou que esse grupo tem muitos problemas para 2026. “Além dos debates ideológicos, tem vários interesses entre eles, que são divergentes. Tem grupos comerciais diferentes brigando e essa é a expressão do governo Ibaneis, que tenta atender esses interesses variados. Aí tem o interesse das empresas de transporte, da turma da grilagem, da especulação imobiliária e o governo fica a administrar”, destacou o deputado, ressaltando ainda que o candidato apoiado por Ibaneis terá dificuldade de defender seu “legado trágico”.

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Fonte: BdF Distrito Federal

Edição: Márcia Silva



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