Itamaraty diz repudiar ataque de Israel que matou voluntários em Gaza

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Itamaraty diz repudiar ataque de Israel que matou voluntários em Gaza

Ministério das Relações Exteriores lamentou as mais de 200 mortes de trabalhadores humanitários e pediu “cessar-fogo imediato” na Guerra do Oriente Médio

O Ministério das Relações Exteriores repudiou o ataque aéreo de Israel na na região de Deir el-Balah, na Faixa de Gaza, que deixou 7 trabalhadores humanitários mortos na última 2ª feira (1º.abr.2024). As vítimas eram da ONG World Central Kitchen (WCK, sigla em inglês).

Segundo o Itamaraty, a ação de Israel “deplora” as mortes de “trabalhadores de saúde palestinos e os danos causados por ação militar das últimas semanas, que resultaram na destruição do hospital Al-Shifa, em contexto no qual a assistência médica à população de Gaza é fundamental”.

O ministério também prestou solidariedade ao povo da Palestina, bem como aos dos trabalhadores oriundos de outras nações e seus familiares. Eis os países de onde as vítimas eram:

  • Austrália;
  • Reino Unido;
  • Estados Unidos;
  • Canadá; 
  • Polônia.

“O Brasil lamenta que mais de 200 agentes humanitários tenham sido mortos na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. Esse número é o maior da história da ONU e representa, em menos de 6 meses de conflito, quase 3 vezes mais vítimas entre trabalhadores humanitários do que jamais registrado em um único conflito, no período de 1 ano”, disse. 

Por fim, o governo brasileiro disse reiterar o “firme repúdio a toda e qualquer ação militar contra alvos civis, sobretudo aqueles ligados à prestação de ajuda humanitária e de assistência médica”, sobretudo aqueles que estão ligados “à prestação de ajuda humanitária e de assistência médica”.

Leia a íntegra da nota do Itamary:

“O governo brasileiro tomou conhecimento, com profunda consternação, de ataque aéreo israelense, ocorrido em 1º de abril, na região de Deir el-Balah, na Faixa de Gaza, no qual sete trabalhadores da ONG humanitária World Central Kitchen (WCK) foram mortos. Deplora também as mortes de civis e trabalhadores de saúde palestinos e os danos causados por ação militar das últimas semanas, que resultou na destruição do hospital Al-Shifa, em contexto no qual a assistência médica à população de Gaza é fundamental.

“Ao expressar sua solidariedade ao povo da Palestina e dos demais países de nacionalidade das vítimas (Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Polônia), sobretudo a seus familiares, o Brasil lamenta que mais de 200 agentes humanitários tenham sido mortos na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. Esse número é o maior da história da ONU e representa, em menos de seis meses de conflito, quase três vezes mais vítimas entre trabalhadores humanitários do que jamais registrado em um único conflito, no período de um ano.

“O governo brasileiro reitera o firme repúdio a toda e qualquer ação militar contra alvos civis, sobretudo aqueles ligados à prestação de ajuda humanitária e de assistência médica. Reitera a importância do cumprimento da demanda de um cessar-fogo imediato contida na resolução 2728 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em 25 de março. E recorda o caráter obrigatório das medidas cautelares proferidas pela Corte Internacional de Justiça, em 26 de janeiro, e ampliadas, em 28 de março, no âmbito do processo instaurado contra Israel, com base na Convenção para a Repressão e Punição do Crime de Genocídio”.


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O ATAQUE

Sete colaboradores da WCK (World Central Kitchen) foram mortos na 2ª feira (1º.abr.2024) por um ataque aéreo israelense à Faixa de Gaza, informou a ONG de ajuda alimentar. As vítimas são da Austrália, da Polônia, do Reino Unido e da Palestina, além de uma com dupla cidadania dos Estados Unidos e do Canadá. Eis a íntegra do comunicado, em inglês (PDF – 261 kB).

De acordo com a organização, “apesar da coordenação dos movimentos” com as FDI (Forças de Defesa de Israel), o grupo foi atingido quando saía do armazém de Deir al-Balah (no centro da Faixa de Gaza), onde havia descarregado mais de 100 toneladas de ajuda alimentar levada para Gaza pela rota marítima.

Este não é apenas um ataque contra a WCK, é um ataque a organizações humanitárias na situação mais terrível, em que os alimentos são usados como arma de guerra. Isso é imperdoável”, acusou Erin Gore, CEO da WCK, afirmando que o ataque das Forças israelenses foi “direcionado”.

A ONG de ajuda alimentar anunciou a pausa imediata de suas operações em Gaza.

Em comunicado no Telegram, a Defesa de Israel disse ter iniciado uma “investigação aprofundada do incidente pelos escalões mais elevados para compreender todas as circunstâncias”.

A IDF faz grandes esforços para permitir a passagem segura da ajuda humanitária e trabalha em plena cooperação e coordenação com a organização WCK, a fim de apoiar os seus esforços para fornecer alimentos e ajuda humanitária aos residentes da Faixa de Gaza”, concluiu.

Leia a íntegra da nota da WCK, em tradução livre para o português:

“A World Central Kitchen está arrasada ao confirmar que 7 integrantes da nossa equipe foram mortos em um ataque das FDI em Gaza.

“A equipe estava viajando em uma zona sem conflitos em 2 carros blindados com a logomarca da WCK.

“Apesar da coordenação dos movimentos com as FDI, o comboio foi atingido quando saía do armazém de Deir al-Balah, onde a equipe tinha descarregado mais de 100 toneladas de ajuda alimentar humanitária trazida para Gaza pela rota marítima.

“‘Este não é apenas um ataque contra a WCK, é um ataque a organizações humanitárias na situação mais terrível, em que os alimentos são usados como arma de guerra. Isso é imperdoável’, disse Erin Gore, CEO da World Central Kitchen.

“Os 7 mortos são da Austrália, Polônia, Reino Unido, dupla cidadania dos EUA e Canadá, e Palestina.

“‘Estou com o coração partido e chocado porque nós –a World Central Kitchen e o mundo– perdemos lindas vidas hoje por causa de um ataque direcionado das IDF. O amor que tinham por alimentar as pessoas, a determinação que incorporavam para mostrar que a humanidade se eleva acima de tudo, e o impacto que causaram em inúmeras vidas serão para sempre lembrados e apreciados’, disse Erin.

“A IDF afirma que está ‘realizando um exame aprofundado nos mais altos níveis para compreender as circunstâncias deste trágico incidente’.

“A World Central Kitchen está pausando suas operações imediatamente na região. Em breve tomaremos decisões sobre o futuro do nosso trabalho.”

Leia a íntegra da nota das FDI, em tradução livre para o português:

“Na sequência de relatos do incidente relativo aos funcionários da organização WCK na Faixa de Gaza, as FDI iniciaram uma investigação aprofundada do incidente pelos escalões mais elevados para compreender todas as circunstâncias.

“A FDI faz grandes esforços para permitir a passagem segura da ajuda humanitária e trabalha em plena cooperação e coordenação com a organização WCK, a fim de apoiar os seus esforços para fornecer alimentos e ajuda humanitária aos residentes da Faixa de Gaza.”

Fonte: Poder 360

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