O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, elevou o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao criticar a condução da política internacional americana em meio ao conflito no Oriente Médio. Em entrevista à emissora ITN, nesta quinta-feira (9) Starmer afirmou estar “farto” de ver os efeitos das decisões de Washington impactando diretamente a economia britânica.

Ao comentar o cenário global, o premiê colocou as ações de Trump em paralelo às do presidente da Rússia, Vladimir Putin, destacando que ambos influenciam o aumento da volatilidade nos preços de energia. Segundo ele, famílias e empresas no Reino Unido têm sido diretamente afetadas pela instabilidade provocada por decisões geopolíticas recentes.

A declaração foi feita durante viagem ao Golfo Pérsico, onde Starmer busca diálogo com autoridades regionais para reduzir os impactos da guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã. O premiê também demonstrou insatisfação com os desdobramentos do conflito, incluindo ataques de Israel no Líbano, que têm gerado questionamentos sobre o cumprimento de acordos de cessar-fogo.

Sem entrar em detalhes técnicos, Starmer afirmou que a escalada militar precisa ser interrompida, reforçando uma posição mais cautelosa do governo britânico diante da crise. Ele ressaltou que, independentemente das interpretações sobre acordos, a continuidade das ações militares não contribui para a estabilidade internacional.

O episódio aprofunda o distanciamento entre os Estados Unidos e aliados europeus, especialmente no âmbito da OTAN. A relação já vinha sendo tensionada após críticas recorrentes de Trump à aliança, que ele considera pouco eficaz para os interesses americanos.

Recentemente, o presidente dos EUA voltou a questionar o papel da OTAN, sugerindo inclusive a possibilidade de saída do país do bloco. As declarações ampliam a incerteza sobre o futuro da cooperação militar entre Washington e Europa.

O relacionamento bilateral entre Reino Unido e Estados Unidos também enfrenta desgaste. No início do conflito, o governo britânico resistiu ao uso de bases militares no território para operações americanas, decisão que gerou desconforto em Washington, apesar de posterior revisão.

Com a escalada das críticas públicas e divergências estratégicas, o cenário aponta para um momento de redefinição nas relações entre potências ocidentais, em meio a um contexto geopolítico cada vez mais instável.

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