Sem envolvimento de Geraldo Jr., montagem de chapas proporcionais vira suplício para oposição, por Raul Monteiro*

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Sem envolvimento de Geraldo Jr., montagem de chapas proporcionais vira suplício para oposição, por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação
O vice-governador Geraldo Júnior tem se mantido distante da formação das chapas para as eleições 04 de abril de 2024 | 08:03

Sem envolvimento de Geraldo Jr., montagem de chapas proporcionais vira suplício para oposição, por Raul Monteiro*

A dois dias do encerramento do prazo para filiações e troca de partidos para quem vai concorrer às próximas eleições, a situação é completamente distinta nos grupos dos dois principais candidatos à Prefeitura de Salvador. Enquanto o prefeito Bruno Reis (União Brasil) coordena ele próprio as articulações e movimentos envolvendo a montagem das chapas à Câmara Municipal, assegurando um nível de organização e hierarquia à equipe que garante um mínimo de tranquilidade a ele, a seu futuro no Legislativo e a quem vai disputar, no time oposicionista do vice-governador Geraldo Jr., candidato do MDB, o clima é de salve-se quem puder.

Sem conseguir acertar nada diretamente com o candidato nem com alguém que o represente, já que até hoje Geraldo Jr. não conseguiu escolher um coordenador para a sua campanha, os partidos da base do governo, convertidos automaticamentem em apoiadores do emedebista, se desesperam ante a falta de envolvimento do prefeiturável em todo o processo, recorrendo muitas vezes à imprensa para se queixar. “A sensação que se tem é que Geraldo Jr. quer que façam a campanha para ele”, diz um político da base governista, referindo-se ao clima de intranquilidade que tomou conta dos vereadores e candidatos forçados a se alinhar ao vice.

Não espanta que, sob condição tão hostil, onde ainda precisam ter que se defender das investidas do próprio Bruno – sempre atento às fragilidades dos adversários para se fortalecer e ao seu grupo -, as siglas mais fortes da coligação de apoio ao emedebista, como o PT, usando o instinto de sobrevivência, se desgarrem das demais e façam seu próprio jogo. Assim, instauram um tal clima de desconfiança e de animosidade com os demais equivalente a uma guerra de todos contra todos que dificilmente vai acabar no fortalecimento do candidato nem na emergência de uma nova Câmara cuja composição possa beneficiá-lo ou ao governo estadual.

Representantes de algumas legendas governistas chegam a relatar que o desespero tem sido tamanho que deixaram de colocar a exigência de apoio ao emedebista como condição para aceitar candidaturas, principalmente daqueles que têm bom potencial de voto. Nelas, o candidato pode apoiar Bruno desde que não explicite a vontade, pelo menos por agora. “Não podemos perder a oportunidade de fortalecer nossas chapas por causa de um candidato que não entra no jogo e, quando entra, faz bola fora”, diz um outro político da base do governo Jerônimo Rodrigues (PT) que assumiu a responsabilidade de montar as chapas de seu partido ao Legislativo também em Salvador.

A maneira inversa como as articulações se desenrolam do lado do governo municipal e da oposição é vista como um sinal pouco alentador quanto às chances de vitória do time governista estadual em Salvador. No fundo, o que todos dizem é que vivenciam o momento crítico da montagem das chapas como se não tivessem uma liderança em que se apoiar no time de Jerônimo, ao passo que o prefeito exerce plenamente as prerrogativas de chefe do Executivo e articulador político para estruturar sua campanha. Pior, muitos começam a lamentar o fato de Jaques Wagner não ter permitido que, no lugar de Geraldo Jr., o candidato tivesse sido o presidente da Conder, José Trindade (PSB).

*Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

Raul Monteiro*

Fonte: clique aqui.

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