De olho em outubro, o PT aposta no retorno de quadros históricos para reforçar sua presença na Câmara dos Deputados. Nomes como José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares voltam ao centro da articulação eleitoral com a missão de ampliar a bancada e agregar experiência ao partido no Legislativo.

A estratégia ocorre em um cenário de reorganização partidária e de busca por candidatos com reconhecimento nacional.

Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, já anunciou que vai disputar uma vaga como deputado federal por São Paulo, marcando seu retorno às urnas após mais de duas décadas. Com condenações anuladas pela Justiça, ele voltou a ter condições eleitorais e passou a atuar novamente nos bastidores do partido, com participação em debates internos e na formulação de diretrizes.

Outro nome mobilizado é o de João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara, que deixou a iniciativa privada para se lançar candidato. Sua candidatura foi incentivada diretamente pelo presidente Lula, dentro de um esforço para recompor uma base parlamentar mais robusta e experiente. Cunha tem mantido interlocução frequente com o Palácio do Planalto e é visto como um articulador com trânsito entre diferentes forças.

Lula e João Paulo Cunha em 2006. Foto: Presidência da República

Já Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, também retorna à disputa eleitoral, desta vez por Goiás. Após recuperar seus direitos políticos, ele volta ao cenário com discurso alinhado ao partido. Em entrevista à Agência Pública, afirmou que sua trajetória não é motivo de arrependimento: “Entre erros e acertos, eu faria tudo de novo”.

Em outro momento da entrevista, Delúbio afirmou que enfrentou o período mais duro das investigações do Mensalão praticamente sozinho e sob forte pressão política e judicial. Disse que foi “muito bombardeado” e que assumiu responsabilidades em meio às acusações, sem aderir a acordos de delação. Também destacou que nunca rompeu com o partido nem com suas lideranças, mesmo após ter sido expulso da sigla no auge da crise. Segundo ele, a decisão de manter fidelidade ao PT ao longo dos anos acabou marcando sua trajetória e explicaria, em parte, o apoio que recebe agora para voltar à disputa eleitoral.

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O movimento de trazer de volta lideranças envolvidas em episódios como o Mensalão e a Operação Lava Jato reflete uma aposta do PT em nomes com experiência acumulada e capacidade de articulação. Ao mesmo tempo, a estratégia busca fortalecer a bancada na Câmara em um eventual novo mandato de Lula, ampliando a governabilidade e o peso do partido no Congresso.

Velhas raposas também entram na coordenação

Além de disputar vagas na Câmara, quadros tradicionais do PT também vão atuar diretamente na campanha à reeleição do presidente Lula. A coordenação ficará a cargo do presidente do partido, Edinho Silva, em conjunto com o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que deve deixar o cargo para se dedicar à campanha.

A equipe contará ainda com ministros que permanecerão no governo, como Wellington Dias, Guilherme Boulos e Carlos Fávaro, além de nomes históricos da sigla em funções estratégicas. Entre eles estão Paulo Okamotto, responsável pelos comitês regionais, Gilberto Carvalho, que deve organizar a agenda do presidente, e José Sergio Gabrielli, encarregado da revisão do plano de governo.

A montagem da equipe indica que, assim como nas candidaturas proporcionais, o partido aposta na experiência acumulada de dirigentes e aliados históricos para estruturar a campanha e ampliar o alcance em diferentes setores, como movimentos sociais, governos locais e o agronegócio.

Créditos Autor: Vinícius Nunes
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