Custos elevados das matérias-primas e imposto de carbono da União Europeia pressionam as margens do setor de aço chinês
Os lucros das principais siderúrgicas chinesas caíram no 1º trimestre devido à crise que assola o setor, com custos persistentemente elevados de matéria-prima, demanda interna fraca e o impacto financeiro do imposto de carbono implementado recentemente pela UE (União Europeia).
Os lucros consolidados das principais siderúrgicas chinesas no 1º trimestre caíram 5,1% em relação ao ano anterior, para 21,7 bilhões de yuans (US$ 3,2 bilhões), reduzindo sua margem de lucro para apenas 1,46%, informou a Associação Chinesa de Ferro e Aço na 4ª feira (29.abr.2026). A receita das principais siderúrgicas no 1º trimestre subiu 1,2% em relação ao ano anterior, para 1,49 trilhão de yuans (US$ 220 bilhões).
A queda na lucratividade evidencia como a maior produtora de aço do mundo está cada vez mais pressionada por tensões geopolíticas que elevam os custos da cadeia de suprimentos e por políticas climáticas rigorosas do Ocidente que ameaçam sua competitividade nas exportações.
Os custos operacionais aumentaram 1,5% durante o período. Jiang Wei, secretário-geral da associação, atribuiu o aumento aos conflitos no Oriente Médio, que elevaram os preços do petróleo, os custos de mineração e os fretes.
Consequentemente, os preços de matérias-primas como minério de ferro e carvão metalúrgico permaneceram altos desde o final de fevereiro. Apesar dos estoques portuários recordes de 170 milhões de toneladas em abril, os preços do minério de ferro importado oscilaram de US$ 105 a US$ 110 por tonelada.
Os volumes de importação de minério de ferro no 1º trimestre aumentaram 10,5% em relação ao ano anterior, atingindo 315 milhões de toneladas, com os preços médios subindo 0,7%, para US$ 100,7 por tonelada. Os custos de aquisição de carvão metalúrgico e coque metalúrgico para as principais siderúrgicas também aumentaram 6,4% e 4,2%, respectivamente, em março.
O mercado interno oferece pouco alívio. O consumo aparente de aço bruto da China caiu 4,4% em relação ao ano anterior, para 220 milhões de toneladas no 1º trimestre.
Essa queda na demanda fez com que os preços do aço no mercado interno caíssem 4,39%, divergindo acentuadamente dos preços internacionais, que subiram 7%. Os itens não vendidos estão se acumulando rapidamente, com os estoques de aço nas principais siderúrgicas aumentando 17% desde o início do ano.
Olhando para o exterior, o setor enfrenta fortes ventos contrários do CBAM (Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira) da UE, que entrou em vigor integralmente no início deste ano. Autoridades do setor chinês criticaram os valores padrão de emissão de carbono da política, considerando-os explicitamente discriminatórios.
A UE atribuiu um valor padrão de cerca de 3,2 toneladas de carbono por tonelada de aço chinês, um número que, segundo Jiang, é quase o dobro das emissões reais da China e significativamente maior do que os valores padrão atribuídos a concorrentes no Japão, na Coreia do Sul, no Brasil e na Turquia.
Wang Bin, vice-secretário-geral da associação, alertou que o impacto financeiro será ainda maior quando o imposto sobre o carbono for expandido em 2028 para abranger produtos derivados do aço e do alumínio, como máquinas e autopeças.
Até lá, os exportadores chineses poderão enfrentar um valor estimado de 1,42 bilhão de euros (US$ 1,7 bilhão) em taxas de carbono, aumentando os custos em cerca de 7% e restringindo severamente seu acesso ao mercado europeu.
Wang instou o governo chinês a usar o diálogo bilateral para pressionar a UE a adotar um mecanismo de contabilização de carbono baseado em dados objetivos, em vez de médias punitivas, dizendo que o ônus financeiro para os exportadores só aumentará à medida que o bloco eliminar completamente suas licenças de emissão de carbono gratuitas até 2034.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 29.abr.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
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