Companhias tem dificuldade em ganho de escala pois governo chinês tornou a regulamentação mais rigorosa
Fabricantes chineses de robotáxis, como a Pony AI, estão reduzindo os custos de produção em uma tentativa de alcançar a lucratividade em larga escala, mesmo com regulamentações mais rígidas ameaçando desacelerar a expansão das frotas.
A Pony AI planeja lançar um novo robotáxi com um custo total de produção –incluindo o veículo, a bateria e o sistema de direção autônoma– inferior a 230 mil yuans (US$ 33.684), anunciou recentemente o CEO Peng Jun. O executivo observou que o preço torna o veículo autônomo mais barato que o modelo básico de um Tesla Model 3.
“A economia decorre de ganhos de escala na aquisição, cadeias de suprimentos consolidadas para componentes caros como o LiDAR [Light Detection and Ranging (detecção e medição de distância por luz)] e uma integração mais estreita com as montadoras”, disse Peng.
A redução de custos reflete uma tendência mais ampla do setor, à medida que as frotas se expandem e a tecnologia amadurece. A WeRide anunciou em julho do ano passado uma redução de 50% nos custos de seu sistema de direção autônoma e uma redução de 84% nos custos totais do ciclo de vida.
Mesmo assim, a lucratividade geral permanece um objetivo difícil de alcançar. A Pony AI operava 1.446 robotáxis no final de março e pretende mais que dobrar esse número, para mais de 3.000, até o final do ano. No entanto, a empresa estima que não atingirá o ponto de equilíbrio geral até que sua frota se expanda para aproximadamente 40.000 a 50.000 veículos –o que evidencia a dependência do setor em escala massiva.
A Pony AI alcançou lucro por veículo em Guangzhou, capital da província de Guangdong, em novembro, e atingiu o mesmo marco na cidade vizinha de Shenzhen em fevereiro deste ano. Peng afirmou que a principal prioridade da empresa nos próximos 3 anos é expandir sua frota.
Essa expansão, porém, depende muito de políticas públicas. Os operadores de robotáxis precisam obter licenças para cada veículo, e os órgãos reguladores continuam cautelosos em relação à emissão dessas licenças, mesmo com algumas cidades tendo liberado áreas centrais para a condução autônoma, segundo uma fonte do setor.
As empresas também são obrigadas a disponibilizar equipes de suporte off-line capazes de chegar a um veículo com problemas em poucos minutos, o que aumenta os custos de mão de obra quando os limites de licenciamento impedem que a densidade da frota corresponda ao tamanho da área de operação, declarou a fonte.
O escrutínio regulatório intensificou-se depois de uma falha operacional generalizada em 31 de março, quando quase 100 táxis autônomos operados pela Apollo Go, da Baidu, pararam abruptamente em Wuhan, capital da província de Hubei.
Em resposta, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, o Ministério da Segurança Pública e o Ministério dos Transportes convocaram uma reunião em 14 de abril, ordenando que as operadoras de táxis autônomos corrigissem os problemas e reforçassem a supervisão da segurança. Diversas fontes do setor afirmaram que o ambiente regulatório tornou-se consideravelmente mais rigoroso.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 4.mai.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
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