O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) afirmou nesta terça-feira (1º), em entrevista à rádio Piatã FM, que a redução da polarização nacional pode abrir espaço para uma campanha mais concentrada nos problemas e nas propostas para o estado. Segundo ele, o cenário de 2026 é diferente do observado na eleição anterior, quando a disputa presidencial entre Lula e Jair Bolsonaro teve forte influência sobre as campanhas estaduais.
Para Neto, o ambiente político atual permite que os eleitores façam escolhas diferentes para cada cargo, sem necessariamente reproduzir na Bahia a divisão nacional. A avaliação ocorre em um momento em que a oposição tenta ampliar o chamado voto cruzado no estado, com eleitores que podem escolher candidatos de grupos políticos diferentes para presidente e governador. Esse fenômeno, chamado de “LuNeto”, ganhou espaço na eleição baiana e já foi identificado em análises recentes sobre a disputa.
“Esse quadro de radicalização do nós contra eles, é um lado ou é outro, ame ou odeie, não está igual ao da eleição de 2022”, afirmou.
Neto escolhe Caiado para presidente
Diferentemente de 2022, quando evitou declarar apoio a um dos principais candidatos à Presidência, Neto afirmou que estará ao lado de Ronaldo Caiado (PSD) na eleição deste ano.
O ex-prefeito de Salvador justificou a escolha pela avaliação que faz da trajetória política e administrativa do governador de Goiás, além da relação pessoal construída entre os dois.
“Eu não tenho dúvida que, dos nomes que disputam a presidência da República, ele é o mais preparado para ser presidente”, declarou.
Neto também citou Flávio Bolsonaro, Lula, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos ao comentar o cenário nacional, mas afirmou que a eleição baiana não precisa ficar subordinada à disputa pelo Palácio do Planalto.
A estratégia ocorre em meio a uma disputa estadual bastante equilibrada. Pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto mostrou Neto com 39% das intenções de voto, contra 37% do governador Jerônimo Rodrigues, resultado considerado empate técnico pela margem de erro de três pontos percentuais. O levantamento ouviu 900 eleitores entre 23 e 26 de agosto e foi registrado no TSE sob o número BA-06206/2026.
Críticas à gestão de Jerônimo
Durante a entrevista, Neto voltou a atacar a administração estadual e questionou a tese de que a proximidade entre os governos estadual e federal seria suficiente para solucionar os principais problemas da Bahia.
Segundo o candidato, a experiência dos últimos quatro anos teria mostrado ao eleitor que o alinhamento político entre Brasília e Salvador não garante, por si só, a execução de obras e a melhoria dos serviços públicos.
“Há quatro anos atrás, Jerônimo Rodrigues se elegeu governador, dizendo que o fato de ser do mesmo partido do presidente da República resolveria todos os problemas da Bahia. E isso não aconteceu”, afirmou.
Neto citou como exemplos a segurança pública, a regulação de pacientes, a educação, as rodovias e a Ponte Salvador-Itaparica.
Na segurança, a crítica ocorre em um cenário no qual a Bahia continua entre os estados com maiores índices de mortes violentas. Dados do Ministério da Justiça citados pela CNN Brasil apontaram que o estado ficou em segundo lugar no ranking nacional de homicídios dolosos no primeiro trimestre de 2026, atrás apenas do Rio de Janeiro.
Ponte Salvador-Itaparica
A Ponte Salvador-Itaparica também voltou ao centro do discurso de Neto. O candidato questionou o ritmo do empreendimento e afirmou que a obra foi apresentada durante a campanha de 2022 como uma das principais soluções de infraestrutura para o estado.
O governo da Bahia, por sua vez, afirma que o projeto avançou para uma nova fase. A documentação oficial informa que, após o termo aditivo firmado em junho de 2025, o prazo contratual foi reorganizado e a conclusão do sistema está prevista para junho de 2031.
O projeto prevê uma ponte de 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos, ligando Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. O sistema inclui ainda acessos viários na capital, nova rodovia na ilha e intervenções na BA-001.
Neto também citou a fila da regulação hospitalar, a qualidade da educação e as condições das rodovias como áreas em que considera que a administração estadual ainda apresenta problemas.
Estratégia é regionalizar a campanha
A tentativa de concentrar a eleição em temas locais faz parte de uma estratégia política que ganhou força na campanha de Neto. Em vez de transformar a disputa pelo governo baiano em um confronto direto entre Lula e os principais nomes da direita nacional, o ex-prefeito busca apresentar uma agenda própria para o estado.
A estratégia também pode alcançar eleitores que aprovam Lula para presidente, mas demonstram disposição de votar em Neto para governador. A presença desse eleitorado tornou-se um dos elementos mais relevantes da eleição baiana de 2026.
O cenário também é favorecido pela proximidade entre Neto e Jerônimo nas pesquisas. Com apenas dois pontos percentuais separando os dois na pesquisa Quaest, a campanha estadual tende a ser decidida pela capacidade de cada grupo de ampliar alianças e conquistar eleitores ainda indecisos.
Oposição tenta evitar repetição de 2022
Em 2022, Neto chegou ao segundo turno contra Jerônimo depois de uma campanha marcada pela forte influência da eleição presidencial. Naquele ano, o então candidato ao governo evitou declarar apoio formal a Lula ou Bolsonaro, postura que acabou sendo explorada pelos adversários.
Agora, ao declarar apoio a Caiado, Neto busca apresentar uma posição nacional mais definida, mas sem transformar a eleição baiana em uma simples extensão da disputa presidencial.
A aposta é que o eleitor possa separar as duas escolhas e avaliar os candidatos estaduais a partir de temas como segurança, saúde, educação, infraestrutura e geração de empregos. Talvez por isso o ‘Lula-Neto’ tem sido a escolha pela maioria, segundo pesquisas.
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