Foi lançado em Salvador, na Biblioteca Central dos Barris, o livro “Ao Som do Sinal”, do autor Jocevaldo Santiago – professor, escritor e produtor cultural, idealizador do projeto Cri’Ativa – Talentos Literários, iniciativa que deu origem ao livro. Durante meses, jovens autores e autoras foram convidados a transformar suas experiências em narrativas.
O livro lançado neste sábado (25) desloca o olhar para aquilo que, historicamente, permaneceu à margem do cânone literário: os afetos juvenis negros, suas subjetividades, suas formas de amar, sonhar, sofrer, criar e imaginar futuros possíveis.
A reportagem do Notícias da Bahia conversou com três jovens autoras: Rebeca – 16 anos, Ana Clara – 13 anos e Nathalia Figueiredo – 15 anos. Elas contaram sobre as histórias que escreveram para o livro.
“O meu conto é falar um pouco sobre o modo avião, sobre a queda de internet e como os jovens sobreviveriam atualmente no mundo sem a internet. Afinal, quase ninguém hoje sobrevive, mas nos nossos contos a gente mostra que podem sim viver sem isso”, explica Rebeca.
“Eu conto sobre uma menina que acaba sofrendo injúria racial e querendo ser forçada a dizer sim para tudo, então o meu conto quer mostrar que mulher pode falar ‘não’ e esse não também tem voz. Ao mesmo tempo fala também sobre racismo, entre outras coisas”, contou Figueiredo.
“Enxergo que ela pode sim trazer a vida de outras pessoas, de mulheres que infelizmente sofrem violência por homens em casa, e que o ‘não é não’. Para mulher, para homem, para qualquer tipo de pessoa, o não sempre vai será não”, completa a jovem de 15 anos.
“O Sonho de Kiala fala sobre a ancestralidade africana, como é importante a gente preservar nossas raízes, valorizar os mais velhos, que carregam história na pele, na mente, em tudo que eles sempre viveram, vivenciaram experiências de vida maravilhosas que a gente pode adquirir para nós também e aprender muito com elas. Além disso, poder também compartilhar com as pessoas ao nosso redor”, destacou Ana Clara.
Autor de “Ao Som do Sinal” escolhe data especial para lançamento
Jocevaldo Santiago, idealizador do projeto, contou ao Notícias da Bahia que escolheu a data 25 de julho para o lançamento do livro por um motivo especial. Neste sábado é comemorado o Dia Nacional do Escritor e também o Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latino-Americana e Caribenha.
“Essa é uma data extremamente importante porque também é Dia Nacional do Escritor e Dia da Mulher Negra, Latino-Americana, Caribenha e de Teresa de Benguela. Teresa que é uma representante quilombola fundamental aqui na historiografia afrodiaspórica. Então a escolha dessa data foi sim proposital. Nós estamos apresentando no dia do escritor, novos escritores e dentre as dez pessoas, nove são mulheres e oito mulheres negras. Então foi assim uma data feliz para a gente poder celebrar todas essas datas que são tão representativas para nós”, celebrou Santiago.
Em meio a era digital, com o advento das redes sociais, Jocevaldo ressalta a importância dos jovens autores utilizar estes meios como forma de atrair novos jovens ao mundo literário.
“Na era digital, fui um jovem que não tinha acesso a livros, a bibliotecas, mas ali fui conseguindo, nas associações comunitárias, me encantar com os livros e encontrei pessoas que já eram mais experientes, que puderam me encaminhar, então eu acredito que essas novas escritoras, novos escritores, eles possam ser essas vozes que vão apresentar para esses outros jovens essa literatura, com uma vantagem, porque eles falarão com pessoas com a mesma faixa etária. Isso é bacana!”, destacou.
*Com informações da repórter Ádila Ribeiro
Créditos Autor: Douglas Santana
Créditos Imagens: Reprodução Internet
