O Bahia e os demais clubes do futebol brasileiro passarão a se adequar a uma mudança gradativa a partir da temporada de 2027. Uma reunião na sede da CBF aprovou uma redução progressiva no limite de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por partida nas competições nacionais.

Diante desse novo cenário, a diretoria tricolor observa com atenção a situação contratual de seus atletas do elenco profissional, em especial a situação de dois uruguaios que podem reunir condições previstas na legislação nacional para solicitar a cidadania brasileira: Nicolás Acevedo e Michel Araújo.

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Leis para a obtenção da cidadania brasileira

Pela legislação em vigor no país, a naturalização ordinária é concedida mediante o cumprimento do requisito geral de quatro anos de residência contínua em solo nacional, além da comprovação de capacidade civil, domínio do idioma português e ficha criminal limpa. O trâmite é conduzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A norma prevê ainda gatilhos de redução desse prazo para um ano nos casos de:

  • Estrangeiros que possuem cônjuge brasileiro ou filhos nascidos em território nacional; ou
  • Estrangeiros originários de países de língua portuguesa.

Caso o atleta obtenha a nacionalidade brasileira e o registro seja homologado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, ele deixa automaticamente de ocupar uma das vagas destinadas a estrangeiros.

A situação de Nicolás Acevedo e Michel Araújo no Bahia

Com nove estrangeiros no atual elenco da Cidade Tricolor — Alejo Véliz, Guido Herrera, Lautaro López, Mateo Sanabria, Roman Gómez, Marco Moreno, Michel Araújo, Kike Olivera e Nicolás Acevedo —, o Bahia precisará obrigatoriamente cortar pelo menos um estrangeiro caso mantenha a atual composição do grupo.

Contudo, dois nomes despontam com condições jurídicas favoráveis para alterar essa logística:

O volante desembarcou no clube em dezembro de 2022. Está próximo de completar quatro anos de residência no país e constituiu família na capital baiana.

Seus dois filhos, Valentino e Santino, nasceram na Bahia, fator que enquadra o jogador no critério de redução do prazo para um ano de residência legal.

O meia ostenta uma trajetória mais longa no futebol nacional. Teve uma primeira passagem pelo Fluminense em 2020 e retornou em definitivo ao Brasil em meados de 2022.

Desde então, acumulou passagens por Fluminense e São Paulo antes de chegar ao Esquadrão, ultrapassando a marca de quatro anos seguidos de vínculo profissional no país.

Outro fator que pesa de forma favorável a Michel Araújo é o domínio da língua portuguesa, sendo um dos jogadores estrangeiros com maior domínio do idioma no país.

Acevedo e Michel Araújo vão iniciar o processo de naturalização?

A efetivação dos processos dependerá da análise individual da documentação migratória de cada atleta e do interesse pessoal em ingressar com o pedido junto aos órgãos competentes.

Contudo, independentemente de permanência ou não no Bahia nos próximos anos, jogadores estrangeiros que continuarem atuando em clubes brasileiros devem tornar cada vez mais frequente o processo de naturalização.

Um exemplo recente é o do argentino Walter Kannemann, que está no Grêmio desde 2016 e, em 2026, passou a ser registrado no BID como um atleta com dupla cidadania (argentina e brasileira), deixando de contar como estrangeiro.



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