A vacina BCG completou 105 anos no último dia 1º de julho e continua como uma das principais aliadas no combate à tuberculose. Médicos aplicam o imunizante preferencialmente nos primeiros dias de vida, ainda na maternidade, para proteger crianças contra as formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa e a tuberculose miliar.
Mesmo com a alta cobertura vacinal alcançada no país, a tuberculose continua sendo um importante desafio para a saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 84 mil novos casos por ano e aproximadamente 6 mil mortes. Em 2025, a cobertura da BCG chegou a 98% entre o público-alvo. Além disso, até março de 2026, o Ministério da Saúde distribuiu mais de 3 milhões de doses em todo o país.
A bactéria Mycobacterium tuberculosis, conhecida como Bacilo de Koch (BK), causa a tuberculose. Pessoas infectadas transmitem a doença pelo ar quando tossem, falam ou espirram. De acordo com o infectologista do Sabin Diagnóstico e Saúde, Marcelo Cordeiro, a BCG não impede completamente a infecção nem a transmissão da doença. No entanto, ela reduz significativamente o risco de complicações graves, principalmente entre crianças pequenas.
Como a BCG protege as crianças
Segundo Marcelo Cordeiro, a principal função da vacina é proteger crianças contra as manifestações mais graves da tuberculose.
“A BCG não evita completamente a infecção ou a transmissão da doença, mas protege contra as manifestações mais graves, especialmente em crianças pequenas”, explica o especialista.
Por esse motivo, a vacina integra o calendário nacional de imunização e deve ser aplicada logo após o nascimento. O Ministério da Saúde recomenda a BCG para recém-nascidos com peso igual ou superior a dois quilos. O SUS oferece o imunizante gratuitamente, e o Sabin Diagnóstico e Saúde também disponibiliza a vacina.
Tosse persistente é o principal sinal
A tosse persistente por três semanas ou mais é o principal sintoma da tuberculose. Além disso, a doença pode provocar febre baixa, principalmente no fim da tarde, suor noturno, cansaço, perda de peso e redução do apetite.
Segundo Marcelo Cordeiro, muitas pessoas confundem esses sintomas com os de outras doenças respiratórias. Por isso, quem apresenta tosse prolongada deve procurar atendimento médico.
“Como pode parecer com outras doenças respiratórias, o ideal é procurar um médico sempre que a tosse se prolongar por mais de algumas semanas”, orienta.
O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento e também ajuda a reduzir a transmissão da doença.
Crianças pequenas exigem atenção redobrada
Muitas pessoas associam a tuberculose aos adultos. No entanto, crianças menores de cinco anos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da infecção.
Além disso, os sintomas costumam ser diferentes daqueles observados nos adultos. Em muitos casos, a criança nem apresenta tosse prolongada. Febre persistente, dificuldade para ganhar peso, perda de peso, irritabilidade, cansaço e diminuição do apetite também podem indicar a doença.
De acordo com o infectologista, pais e responsáveis devem buscar avaliação médica quando esses sintomas persistirem ou quando a criança tiver contato próximo com alguém diagnosticado com tuberculose.
“Por isso, diante de sintomas persistentes ou quando a criança teve contato próximo com uma pessoa com tuberculose, é importante procurar avaliação médica”, reforça.
Vacinação continua sendo a melhor forma de prevenção
Mesmo após 105 anos de história, a BCG continua desempenhando papel fundamental na prevenção das formas graves da tuberculose. Além de proteger crianças, a vacinação contribui para reduzir complicações e mortes causadas pela doença.
Para Marcelo Cordeiro, as vacinas transformaram a saúde pública e continuam salvando vidas.
“A vacinação é uma ferramenta essencial para a saúde pública. Poucas estratégias tiveram um impacto tão positivo na saúde da população quanto as vacinas. Elas ajudam a prevenir doenças graves, reduzem complicações e permitem que as pessoas envelheçam com mais segurança e bem-estar. Manter a vacinação em dia é um cuidado que beneficia tanto o indivíduo quanto toda a comunidade”, conclui o infectologista.
Créditos Autor: Isabela
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