O Operário Ferroviário chega às últimas três rodadas do Campeonato Brasileiro da Série B de 2026 em uma situação que exige muito mais do que vitórias para manter vivo o sonho do acesso. Com 51 pontos conquistados em 35 partidas, o Fantasma precisa vencer seus compromissos e ainda contar com uma combinação de resultados de adversários diretos.
Mas o maior desafio está logo na próxima rodada. No domingo (1º), às 18h30, o Operário enfrenta o Novorizontino, no Estádio Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte (SP). E, diante do desempenho das duas equipes, o alerta não é apenas para a possibilidade de derrota, mas também para o risco de uma goleada.
Na minha avaliação, o Novorizontino é hoje o melhor time da Série B. Tem um ataque extremamente eficiente, um meio-campo de grande qualidade e chega à reta final da competição demonstrando força de candidato ao acesso.
Novorizontino é favorito e Operário precisa reconhecer suas limitações
Os números ajudam a explicar o tamanho da dificuldade que o Fantasma encontrará no domingo.
O Novorizontino soma 64 pontos, com 62 gols marcados e saldo positivo de 32 gols. Nos últimos cinco jogos, conquistou quatro vitórias e um empate. É uma equipe que sabe atacar, controla os jogos e encontra alternativas para chegar ao gol adversário.
O Juventude, também com 64 pontos, aparece como outro destaque da competição. A goleada por 4 a 0 sobre o Náutico, na segunda-feira (26), demonstrou a força da equipe gaúcha, que possui a melhor defesa do campeonato, com apenas 23 gols sofridos.
Aliás, o resultado do Juventude serve como um aviso ao Operário. O Náutico sofreu quatro gols, mas poderia ter perdido por uma diferença ainda maior, não fossem as intervenções de seu goleiro.
É justamente esse tipo de situação que o Fantasma precisa evitar.
Não considero exagero afirmar que conquistar um empate diante do Novorizontino seria um resultado extraordinário para o Operário. Uma vitória seria uma surpresa ainda maior.
Entretanto, mesmo em caso de derrota, o mínimo que se espera é uma atuação competitiva, organizada e capaz de preservar a dignidade da equipe nesta reta final.
Alberto Valentim precisa corrigir a defesa do Operário
Minha principal preocupação está na maneira como o técnico Alberto Valentim vem organizando defensivamente o Operário Ferroviário.
O time apresenta fragilidades nas laterais, especialmente pelo lado direito. Quando atua com Maguinho ou Doca nessa função, deixa espaços que podem ser explorados por adversários de maior qualidade ofensiva.
Contra o Novorizontino, isso pode custar muito caro.
O treinador adversário, Enderson Moreira, certamente conhece essas dificuldades. Com um meio-campo qualificado e jogadores que sabem atacar os espaços, o Novorizontino tem condições de explorar justamente os setores mais vulneráveis da defesa alvinegra.
Na minha opinião, o Operário deveria adotar uma postura mais conservadora.
Eu escalaria Miranda na lateral direita e Zuluaga na esquerda, buscando maior consistência defensiva. Jogadores como Maguinho, Doca, Moraes Júnior e Feliciano possuem características que podem ser melhor aproveitadas quando atuam mais avançados.
Feliciano, inclusive, é tecnicamente o melhor desse grupo, na minha avaliação. Entretanto, considero que seu potencial ofensivo é superior à sua capacidade de marcação.
O Operário não pode entrar em campo contra o melhor ataque da Série B oferecendo tantos espaços pelos lados.
Alberto Valentim pode ter outra leitura e encontrar soluções diferentes. Mas, até agora, suas escolhas de escalação, organização e substituições ainda não me convenceram.
Gabriel Boschilia pode ser decisivo, mas não resolve tudo sozinho
Outro ponto de atenção é a condição física de Gabriel Boschilia.
A presença do meio-campista pode fazer diferença na organização das jogadas e na capacidade ofensiva do Fantasma. Sua recuperação para a partida de domingo seria importante.
Entretanto, mesmo com Boschilia em campo, o Novorizontino continuará sendo amplamente favorito.
O problema do Operário não está concentrado em apenas um jogador. É coletivo, especialmente na maneira de se posicionar e proteger o setor defensivo.
Valentim precisa encontrar uma formação capaz de equilibrar o time e impedir que o adversário transforme sua superioridade técnica em uma goleada.
Resultados da Série B deixam acesso cada vez mais difícil
Além das dificuldades dentro de campo, o Operário precisa acompanhar os resultados dos concorrentes.
Novorizontino e Juventude chegaram aos 64 pontos, seguidos por Vila Nova, com 62, Fortaleza, com 61, e Criciúma, com 59. O CRB aparece com 55 pontos, enquanto Sport Recife e Atlético-GO somam 54 cada.
O Goiás, com 49 pontos e um jogo a menos, enfrenta o Ceará nesta terça-feira (27), às 20h, na Arena Castelão.
Se vencer, chegará aos 52 pontos e ultrapassará o Fantasma na classificação.
Na prática, mais um obstáculo para uma equipe que já não depende apenas de seus próprios resultados.
O Criciúma também pode encaminhar sua classificação caso vença a Ponte Preta na próxima rodada. Com 59 pontos, a equipe catarinense chegaria aos 62, enquanto o Operário, mesmo vencendo os três jogos restantes, alcançaria no máximo 60.
É por isso que considero a possibilidade de acesso do Fantasma extremamente remota.
Matematicamente, ainda existe uma esperança. Mas, no futebol, é necessário separar aquilo que é possível daquilo que é provável.
Operário precisa terminar a Série B com dignidade
Independentemente das chances de acesso, o Operário Ferroviário tem uma obrigação: terminar o campeonato de maneira competitiva.
Com 51 pontos, a permanência na Série B da próxima temporada está assegurada. Agora, o objetivo deve ser conquistar o maior número possível de pontos e mostrar evolução para o planejamento de 2027.
Depois do confronto contra o Novorizontino, o Fantasma terá pela frente o Sport Recife, no Estádio Germano Krüger, e a Ponte Preta, em Campinas.
São partidas nas quais espero que o Operário consiga apresentar um futebol mais consistente.
Contra o Sport, o fator casa poderá equilibrar as forças. Já diante da Ponte Preta, considero que o Fantasma terá condições de buscar uma vitória mesmo fora de seus domínios.
Mas tudo começa no domingo, contra o Novorizontino.
O torcedor não pode exigir milagres, mas tem todo o direito de cobrar organização, dedicação e inteligência tática.
O Operário não precisa provar que é melhor do que o Novorizontino. Precisa provar que é capaz de competir contra uma equipe superior sem se desorganizar.
E, principalmente, precisa evitar que a reta final de uma campanha de recuperação termine marcada por uma goleada.
Tomara que Alberto Valentim encontre as respostas dentro de campo. Porque, acima de qualquer análise crítica, o desejo é ver o Operário Ferroviário forte, competitivo e respeitado.
Assista a análise completa:
Créditos Autor: Ivan Vinícius
Créditos Imagens: Reprodução Internet
