O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu apuração envolvendo o Bradesco após uma denúncia sobre a suposta contratação fraudulenta de um empréstimo em nome de um consumidor, sem autorização do titular. O caso levanta questionamentos sobre os mecanismos utilizados pela instituição financeira para confirmar a identidade e o consentimento de clientes em operações de crédito.
A investigação busca esclarecer como a contratação teria sido realizada e se houve falha nos procedimentos de segurança adotados pelo banco. A apuração ocorre na área de defesa do consumidor e poderá avaliar a responsabilidade da instituição caso sejam confirmadas irregularidades.
Documentos do próprio MP-BA mostram que o Bradesco já foi alvo de outros procedimentos relacionados à relação com consumidores na Bahia. Em 2025, por exemplo, uma promotoria de Salvador instaurou inquérito civil para apurar questões relacionadas a contratos de empréstimos consignados e ao dever de informação aos clientes.
Em outro procedimento, o Ministério Público baiano também investigou práticas atribuídas à instituição em relação a consumidores e chegou a atuar em questões envolvendo atendimento e proteção de clientes.
Suspeita de falha na segurança
O ponto central da nova apuração é verificar se o empréstimo foi efetivamente contratado pelo consumidor ou se terceiros conseguiram realizar a operação utilizando seus dados.
Caso fique comprovada a ausência de autorização, a investigação poderá analisar quais mecanismos de autenticação foram empregados, quais documentos ou informações foram utilizados e se os procedimentos adotados foram suficientes para impedir uma contratação indevida.
A questão é especialmente relevante no setor bancário, diante do aumento de operações realizadas por meios digitais e da necessidade de mecanismos capazes de impedir fraudes envolvendo dados pessoais.
Investigação ocorre após resultado bilionário
A apuração contra a instituição ocorre poucos dias depois da divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026. O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no período, alta de 16,2% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado foi divulgado pelo banco no início de agosto.
O desempenho financeiro, porém, não interfere na apuração do Ministério Público, que deverá se concentrar especificamente na operação questionada e nos procedimentos de segurança utilizados no caso.
A investigação ainda não significa que o banco tenha sido responsabilizado pela suposta fraude. Caberá ao MP-BA analisar documentos, informações da operação e eventuais esclarecimentos apresentados pela instituição para determinar se houve irregularidade.
Banco pode prestar esclarecimentos
Durante a apuração, a instituição financeira poderá apresentar informações sobre a contratação, incluindo registros de autenticação, documentos utilizados, dados da operação e mecanismos empregados para confirmar a identidade do consumidor.
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