Tempo de Leitura: 3 minutos

Um nariz escorrendo, tosse leve e irritação podem parecer apenas sintomas de um resfriado comum. No entanto, em alguns bebês, o quadro evolui rapidamente para dificuldade respiratória, chiado no peito e recusa das mamadas. É nesse momento que muitos pais se deparam com a bronquiolite, uma das doenças respiratórias que mais preocupam pediatras durante os meses mais frios do ano.

A bronquiolite viral aguda é uma inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões, que afeta principalmente crianças menores de dois anos, especialmente bebês com menos de seis meses. O principal causador da doença é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por até 80% dos casos, segundo o Ministério da Saúde.

Com a chegada do inverno e o aumento da circulação de vírus respiratórios, hospitais e emergências pediátricas registram crescimento significativo na procura por atendimento. A enfermidade atinge mais de um terço dos bebês nos dois primeiros anos de vida e pode levar até 10% deles à hospitalização.

Vírus respiratórios aumentam circulação no inverno

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 120.176 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus respiratórios em 2025. Desse total, 43.946 tiveram relação com o VSR. Além disso, mais de 36 mil hospitalizações ocorreram entre crianças menores de dois anos, faixa etária considerada a mais vulnerável às complicações da bronquiolite.

Segundo a pediatra neonatologista Mirla Amorim, do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, a anatomia das vias respiratórias dos bebês favorece a rápida evolução da doença.

“A maior preocupação é que os bronquíolos dos bebês são muito estreitos. Quando ocorre inflamação e aumento da produção de secreção, a passagem do ar fica comprometida com muita rapidez”, explica.

A especialista destaca ainda que a progressão do quadro costuma surpreender muitas famílias.

“Muitas vezes o bebê inicia apenas com sintomas parecidos com os de um resfriado comum. Em 24 ou 48 horas pode surgir desconforto respiratório importante, exigindo avaliação médica imediata”, alerta.

Imagem: Magnific

Grupos mais vulneráveis exigem atenção redobrada

Embora qualquer bebê possa desenvolver bronquiolite, algumas crianças apresentam maior risco de complicações. Entre elas estão prematuros, recém-nascidos, pacientes com cardiopatias congênitas, doenças pulmonares crônicas ou imunidade comprometida.

“Esse público possui uma reserva respiratória menor e pode apresentar piora clínica de forma mais rápida. Por isso, qualquer sinal de dificuldade respiratória deve ser valorizado pelos pais e avaliado por um profissional de saúde”, orienta Mirla Amorim.

Dificuldade para respirar é principal sinal de alerta

Os especialistas orientam os pais a observar atentamente o padrão respiratório da criança. Respiração acelerada, afundamento das costelas, gemência, chiado no peito, lábios arroxeados e dificuldade para se alimentar são sinais que exigem avaliação médica.

“A recusa das mamadas costuma ser um dos primeiros indícios de que o bebê não está conseguindo respirar adequadamente. Ele fica cansado para sugar e respirar ao mesmo tempo”, destaca a médica.

Outro fator que preocupa é a desidratação. Como o bebê respira mais rápido e reduz a ingestão de líquidos, pode ocorrer perda de peso e necessidade de suporte hospitalar.

Tratamento é baseado em suporte clínico

Ao contrário do que muitos pais imaginam, antibióticos não costumam fazer parte do tratamento da bronquiolite, já que a doença tem origem viral.

O manejo inclui hidratação adequada, lavagem nasal frequente e monitoramento da oxigenação. Nos casos mais graves, a criança pode precisar de internação e suporte com oxigênio.

O principal tratamento é garantir que o bebê consiga respirar e se hidratar adequadamente. Por isso, a avaliação médica é fundamental para definir se o acompanhamento pode ser feito em casa ou se há necessidade de internação”, explica Mirla.

Novas estratégias ajudam a reduzir internações

Além das medidas preventivas tradicionais, como higienização frequente das mãos, evitar contato de recém-nascidos com pessoas gripadas e reduzir a exposição a ambientes fechados e aglomerados, o Brasil ampliou recentemente as estratégias de proteção contra o VSR.

Os resultados já começam a aparecer. Dados do Ministério da Saúde apontam queda de 52% nas internações por SRAG associada ao VSR entre crianças menores de dois anos, na comparação com 2023. Os óbitos relacionados ao vírus também apresentaram redução de 63% no período.

Para Mirla Amorim, a principal recomendação continua sendo a observação cuidadosa dos sintomas respiratórios.

Quando falamos de bebês menores de um ano, especialmente nos primeiros seis meses de vida, observar a qualidade da respiração é tão importante quanto medir a temperatura. Em caso de dúvida, a avaliação médica precoce pode fazer toda a diferença.”

Por isso, reconhecer rapidamente os sinais de alerta é fundamental para evitar complicações e garantir uma recuperação mais segura durante a temporada de maior circulação dos vírus respiratórios.

Créditos Autor: Isabela
Créditos Imagens: Reprodução Internet

Fonte: Clique aqui