O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), desponta como o principal nome com potencial para ocupar o espaço da chamada terceira via nas eleições presidenciais de outubro. A avaliação foi apresentada por dirigentes de importantes institutos de pesquisa durante encontro promovido pelo Grupo Lide, que reuniu especialistas para analisar o cenário eleitoral brasileiro.
Apesar da possibilidade de fortalecimento de uma candidatura alternativa, os analistas avaliam que o presidente Lula da Silva (PT) continua como favorito na disputa, beneficiado pela recuperação dos índices de aprovação do governo e pela manutenção da polarização política.
Segundo o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, o avanço de uma terceira via dependerá principalmente de uma reorganização do eleitorado de direita, especialmente diante do desgaste enfrentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De acordo com Roman, pesquisas indicam uma erosão gradual da base histórica de apoio ao presidente Lula, sobretudo em estados do Nordeste, entre os jovens e na classe média de menor renda. Ainda assim, o especialista pondera que o petista permanece competitivo.
“O candidato que mais poderia se beneficiar desse cenário seria Ronaldo Caiado”, afirmou Roman, ao destacar que o governador goiano reúne atributos para atrair eleitores de direita que buscam uma alternativa ao atual candidato do PL.
Quaest vê disputa ainda em aberta
O cientista político e CEO da Genial/Quaest, Felipe Nunes, afirmou que Lula inicia a campanha em posição mais confortável do que no início do ano. Segundo ele, os modelos estatísticos do instituto elevaram a probabilidade de reeleição do presidente de aproximadamente 38% para quase 60%, impulsionada pela melhora na aprovação do governo.
Nunes ressaltou, entretanto, que a eleição ainda está longe de estar definida. Na avaliação dele, candidatos como Caiado, Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ainda podem crescer ao longo da campanha, especialmente durante debates e com maior exposição no horário eleitoral.
O pesquisador também destacou que a disputa tende novamente a ser decidida pelos eleitores independentes, grupo considerado decisivo para o resultado do segundo turno.
Datafolha aponta eleitor desmobilizado
A CEO do Datafolha, Luciana Chong, chamou atenção para o elevado número de eleitores que ainda não possuem candidato definido. Segundo ela, a pesquisa espontânea mostra que 37% dos entrevistados ainda não citam nenhum presidenciável, percentual superior ao registrado no mesmo período da eleição de 2022.
Entre as mulheres, o índice de indefinição chega a 45%, indicando que parte significativa desse eleitorado ainda poderá ser influenciada durante a campanha eleitoral.
Paraná Pesquisas destaca peso de São Paulo
Para o presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, São Paulo deverá assumir papel decisivo na definição da eleição presidencial, superando Minas Gerais como estado mais importante para o resultado nacional.
Segundo ele, uma eventual ausência de segundo turno em diversos estados do Nordeste poderá reduzir a mobilização do eleitorado da região na etapa final da disputa, alterando o peso relativo dos maiores colégios eleitorais.
Polarização domina
O presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais, Antonio Lavareda, afirmou que o ambiente político continua fortemente polarizado, embora exista hoje menor rejeição às instituições em comparação com o cenário observado em 2018.
Na avaliação dos especialistas presentes ao encontro, o quadro mais provável continua sendo uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o enfraquecimento da candidatura do senador e a busca de parte do eleitorado por uma alternativa podem abrir espaço para o crescimento de nomes como Ronaldo Caiado ao longo da campanha presidencial.
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