CAMPANHA COMBATE Á DENGUE E ÁRBOVIROSES

As primeiras pesquisas de intenção de voto para o Senado nas eleições de outubro apontam para uma possível mudança na composição da Casa, com avanço de forças ligadas à esquerda e ao bolsonarismo e redução do espaço ocupado atualmente por partidos do Centrão. Apesar da movimentação, nenhum dos dois principais polos políticos deverá alcançar sozinho uma maioria capaz de aprovar matérias que exigem quórum qualificado.

Ao todo, 54 das 81 cadeiras do Senado serão renovadas neste ano, com dois senadores eleitos em cada estado e no Distrito Federal. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a renovação corresponde a dois terços da composição da Casa.

Uma projeção divulgada pelo jornal O Globo, com base em pesquisas estaduais, indica crescimento do PL, que poderia passar de 10 para até 24 cadeiras caso os candidatos atualmente nas primeiras posições confirmem o desempenho nas urnas. O partido lançou 33 candidatos ao Senado em 25 estados.

O PT também aparece entre as legendas com maior número de candidatos competitivos, com nove nomes posicionados nas duas primeiras colocações dos levantamentos considerados pela projeção. A estratégia petista busca ampliar a base no Senado para facilitar a governabilidade de Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual novo mandato.

Disputa ainda está aberta

Apesar do avanço de PT e PL, o cenário não aponta para uma tomada de controle do Senado por nenhum dos dois grupos. Para determinadas decisões, como o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, são necessários 54 votos, equivalente a dois terços dos 81 senadores.

O professor de Ciência Política Marco Antônio Carvalho Teixeira, da FGV EAESP, avalia que uma eventual polarização maior exigirá negociação entre os diferentes grupos políticos.

A disputa também pode sofrer alterações significativas até outubro. Em estados como Minas Gerais, por exemplo, o percentual de eleitores que ainda não conhecem os candidatos ou não decidiram o voto permanece elevado.

Bahia reforça avanço da esquerda

Na Bahia, a tendência apontada pelas pesquisas é favorável ao grupo ligado ao presidente Lula. Levantamento da Quaest divulgado em 27 de agosto mostra Rui Costa (PT-BA) na liderança da disputa pelo Senado, com 23% das intenções de voto, seguido por Jaques Wagner (PT-BA), com 17%.

João Roma (PL-BA) aparece em terceiro, com 7%, enquanto Angelo Coronel (Republicanos-BA) registra 5%. A pesquisa ouviu 900 eleitores entre 23 e 26 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrada no TSE sob o número BA-06206/2026.

O resultado reforça a força do PT na corrida pelas duas vagas baianas, embora a eleição ainda esteja distante de uma definição. No cenário espontâneo, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, 85% dos entrevistados se declararam indecisos.

Centrão ainda mantém força

Apesar da projeção de perda de espaço, o Centrão continua competitivo em diversos estados. Das 54 cadeiras em disputa, 34 pertencem atualmente a partidos classificados nesse campo político.

Em Alagoas, por exemplo, Arthur Lira aparece na liderança, com 20%, seguido por Renan Calheiros, com 18%, e Marina JHC, com 15%, segundo os dados citados na projeção.

No Rio de Janeiro, a disputa permanece fragmentada entre diferentes grupos. Benedita da Silva aparece numericamente na frente, enquanto candidatos ligados à direita dividem as intenções de voto, cenário que pode mudar com a evolução da campanha.

Em Santa Catarina, a disputa também evidencia a divisão dentro do campo bolsonarista. Carlos Bolsonaro aparece entre os primeiros colocados, mas está tecnicamente próximo de Carol De Toni, enquanto o senador Esperidião Amin lidera o levantamento. Pesquisa Quaest divulgada em agosto apontou Amin com 19%, Carlos Bolsonaro com 16% e Carol De Toni com 12%.

Emendas podem influenciar decisão do eleitor

Outro fator apontado nas pesquisas é a importância das emendas parlamentares na escolha dos eleitores. Segundo o levantamento citado pelo O Globo, a defesa do impeachment de ministros do STF seria determinante para apenas 11% dos entrevistados, enquanto o envio de recursos para os estados e a realização de obras teriam maior peso na decisão.

O tema das emendas também permanece no centro das divergências entre Congresso e Supremo. As discussões sobre transparência, destinação dos recursos e poder dos parlamentares sobre o Orçamento podem influenciar o comportamento das bancadas eleitas em 2026.

Para especialistas, uma eventual aproximação entre parlamentares de diferentes correntes em torno das emendas e de pautas relacionadas ao Supremo poderia criar uma nova dinâmica de poder no Senado.

Cenário pode mudar até a eleição

Apesar das tendências apontadas pelas pesquisas, o quadro ainda está sujeito a mudanças. O elevado número de eleitores indecisos e os empates técnicos em diversos estados tornam prematura qualquer conclusão sobre a futura composição do Senado.

Na Bahia, por exemplo, a pesquisa mais recente mostra vantagem dos dois candidatos ligados ao PT, mas João Roma permanece entre os nomes competitivos. O levantamento também revela que 22% dos eleitores ainda estão indecisos e 20% afirmam que votarão em branco, nulo ou não pretendem comparecer.

Com a campanha ainda em fase inicial, a tendência é que alianças, exposição dos candidatos, desempenho dos presidenciáveis e a definição das estratégias estaduais alterem o equilíbrio da disputa até outubro.

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