A cerveja está presente em encontros, comemorações e momentos de lazer, mas também costuma aparecer entre as bebidas associadas ao ganho de peso. No entanto, o impacto sobre a balança não depende apenas da bebida. A quantidade consumida, a frequência, o teor alcoólico e os alimentos escolhidos para acompanhá-la também entram nessa conta.
Uma lata de cerveja tradicional de 350 ml pode ter, em média, entre 140 e 160 calorias, segundo a médica nutróloga Suzana Viana. O valor, entretanto, varia conforme a composição e o estilo da bebida. Por isso, comparar os rótulos pode ajudar quem deseja controlar a ingestão de calorias.
Álcool interfere no metabolismo
Depois que o álcool chega ao organismo, o corpo prioriza sua metabolização. Como consequência, a utilização de outras fontes de energia, como a gordura, pode ficar temporariamente reduzida.
“Enquanto o corpo metaboliza o álcool, a queima de gordura fica em segundo plano. Se houver excesso de calorias nesse período, principalmente provenientes de alimentos gordurosos, a tendência é favorecer o armazenamento de gordura corporal”, explica Suzana.
Esse processo, porém, não significa que uma cerveja isoladamente seja responsável pelo ganho de peso. O resultado depende do balanço energético ao longo do tempo e, principalmente, do padrão de consumo.
Como o álcool é processado pelo organismo
Depois de ingerido, o álcool passa rapidamente para a corrente sanguínea e chega a diferentes órgãos. O fígado tem papel central nesse processo, já que é o principal responsável pela metabolização da substância.
Durante essa etapa, o organismo prioriza a eliminação do álcool antes de outras fontes de energia. Por isso, o consumo frequente pode interferir no metabolismo e também aumentar a ingestão calórica total.
Além disso, o álcool fornece calorias por si só. Cada grama de álcool possui cerca de 7 calorias. Portanto, mesmo uma bebida que não tenha grandes quantidades de açúcar pode contribuir para o consumo energético do dia.
A cerveja pode favorecer o ganho de gordura?
O ganho de gordura corporal acontece quando, ao longo do tempo, a ingestão de energia supera o gasto. Nesse cenário, a cerveja pode contribuir para o excesso calórico, principalmente quando o consumo é frequente ou ocorre em grandes quantidades.
A situação pode se intensificar quando a bebida aparece acompanhada de alimentos muito calóricos. Assim, não é apenas a quantidade de cerveja que precisa ser considerada, mas o conjunto da alimentação.
O acúmulo de gordura na região abdominal merece atenção especial. A chamada gordura visceral fica localizada ao redor dos órgãos e está associada a maior risco de alterações metabólicas e cardiovasculares.
Petiscos também pesam na conta
Outro ponto que merece atenção são os alimentos consumidos junto com a bebida. Frituras, embutidos, salgadinhos e carnes mais gordurosas podem aumentar significativamente a quantidade de calorias ingeridas durante um encontro.
“Na maioria das vezes, o problema está no conjunto da obra. É comum que a pessoa consuma várias horas de bebida acompanhadas de alimentos altamente calóricos, o que aumenta bastante a ingestão energética total”, afirma a nutróloga.
Por isso, quem pretende reduzir o consumo calórico pode optar por acompanhamentos com maior presença de proteínas e vegetais, além de evitar transformar a bebida em um motivo para comer por várias horas.
Frequência e quantidade fazem diferença
Mais importante do que classificar a cerveja como “vilã” ou “liberada” é observar o padrão de consumo. O consumo frequente e em grandes quantidades aumenta a ingestão de álcool e calorias e pode dificultar estratégias voltadas ao controle do peso.
Além disso, o consumo excessivo de álcool está associado a diferentes problemas de saúde, incluindo doenças do fígado, alterações cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Por isso, reduzir a quantidade e a frequência continua sendo uma das principais formas de diminuir os riscos relacionados à bebida.
O que observar no rótulo da cerveja
A embalagem pode ajudar na comparação entre diferentes produtos. Antes da escolha, vale conferir:
- valor energético por porção;
- teor alcoólico;
- quantidade de carboidratos;
- tamanho da porção indicada pelo fabricante;
- quantidade total de bebida presente na embalagem.
Um cuidado importante é não confundir o tamanho da embalagem com a porção usada na tabela nutricional. Uma lata ou garrafa pode conter mais de uma porção, dependendo da referência adotada pelo fabricante.
Além disso, cervejas com maior teor alcoólico tendem a apresentar mais calorias provenientes do próprio álcool. Por isso, olhar apenas para a quantidade de carboidratos não é suficiente para comparar os produtos.
Cerveja sem álcool é sempre uma opção melhor?
As versões sem álcool podem ser uma alternativa para quem deseja reduzir ou evitar a ingestão de álcool. No entanto, isso não significa que todas tenham menos calorias ou carboidratos.
A composição varia entre os produtos. Algumas cervejas sem álcool podem apresentar quantidade relevante de carboidratos e açúcares. Por isso, a recomendação da nutróloga é manter a mesma atenção ao rótulo.
“A cerveja sem álcool pode ser uma excelente alternativa para quem deseja reduzir o consumo de álcool, mas isso não significa que todas sejam mais saudáveis. Comparar os rótulos continua sendo a melhor estratégia”, explica Suzana.
Como reduzir os impactos do consumo
Para quem opta por beber, algumas medidas podem ajudar a controlar a quantidade consumida. Entre elas estão estabelecer previamente um limite, intercalar a bebida com água e evitar o consumo em jejum.
Também é importante prestar atenção ao ritmo. Beber rapidamente facilita o consumo de uma quantidade maior de álcool em pouco tempo. Além disso, comer antes ou durante o consumo pode reduzir a velocidade de absorção do álcool, embora não elimine seus efeitos.
A escolha dos acompanhamentos também conta. Em vez de concentrar a refeição em frituras e alimentos ultraprocessados, é possível incluir opções como carnes magras, queijos em quantidades moderadas, vegetais e outros alimentos menos calóricos.
Álcool, alimentação e saúde
O impacto da cerveja sobre o peso não deve ser analisado de forma isolada. Sono, alimentação, atividade física, metabolismo e frequência de consumo também fazem parte dessa equação.
Uma alimentação equilibrada ao longo da semana não impede que uma pessoa consuma bebidas alcoólicas ocasionalmente, mas o excesso pode comprometer os objetivos de quem busca emagrecer ou manter o peso.
Por isso, mais do que procurar uma cerveja “que não engorde”, a orientação é observar a quantidade ingerida e a frequência do consumo. A redução da ingestão de álcool também contribui para diminuir a exposição aos seus possíveis efeitos nocivos.
Não existe uma cerveja que seja “saudável”
A comparação entre produtos pode ser útil para quem deseja consumir menos calorias ou reduzir a ingestão de álcool. No entanto, escolher uma opção com menos calorias não transforma a bebida em um alimento saudável.
O mais importante é considerar o conjunto da alimentação, a frequência do consumo e a quantidade ingerida. Para pessoas que buscam emagrecer, também vale observar o impacto dos acompanhamentos e das escolhas feitas ao longo do dia.
“Não existe alimento proibido. O segredo está na moderação e em fazer escolhas mais conscientes para que o consumo da cerveja não comprometa a saúde nem os objetivos de quem busca emagrecer ou manter o peso”, orienta Suzana Viana.
Créditos Autor: Isabela
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