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A vacinação nem sempre começa com a aplicação da dose. Muitas vezes, começa na conversa — diante de uma pergunta, de um medo, de uma informação recebida pelo celular, de uma experiência ruim ou de uma desconfiança que não desaparece apenas porque alguém apresenta um dado correto. Entre a dúvida e a decisão de se vacinar, há um espaço que nem sempre cabe nos protocolos: o da confiança.

Foi para esse olhar mais amplo da comunicação que a jornalista Susy Moreno e idealizadora da Rede ComSaúde chamou a atenção de  profissionais de enfermagem que atuam na imunização do município de Salvador, reunidas nesta quarta-feira (12) para a abertura do Curso de Qualificação das Boas Práticas de Acolhimento em Sala de Vacinação, realizado pela Secretaria Municipal da Saúde de Salvador.

Susy Moreno

Especialista em Gestão da Comunicação Organizacional Integrada pela Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e especializada em comunicação em saúde, Susy apresentou a palestra “Antes da dose, a confiança: como a comunicação fortalece vínculos, combate a desinformação e favorece a vacinação”.

A apresentação colocou a comunicação no centro de uma situação presente no cotidiano das salas de vacinação: o encontro entre o conhecimento científico levado pelo profissional de saúde e as dúvidas, receios e desconfianças de quem chega para se vacinar.

Quando informar não basta

Medo, dúvidas, experiências negativas, desinformação e desconfiança podem fazer parte da decisão de uma pessoa sobre se vacinar. Na abordagem apresentada por Susy, enfrentar esse cenário exige mais do que corrigir uma informação falsa ou repetir uma orientação técnica. Exige escutar o que está por trás da dúvida e compreender as preocupações de quem busca orientação.

A palestra propôs quatro movimentos: escutar, compreender, explicar e confirmar. A sequência parte da compreensão da preocupação apresentada, passa pela explicação da informação de forma acessível e chega à confirmação de que a mensagem foi compreendida.

A discussão também chamou atenção para uma característica da desinformação: muitas vezes, ela circula em relações de confiança. Por isso, uma informação tecnicamente correta, embora fundamental, pode não ser suficiente, sozinha, para enfrentar dúvidas e receios já estabelecidos.

Equipe de Enfermagem da Imunização

Entre a ciência e quem chega ao posto de saúde

Quem chega a um posto de saúde para se vacinar dificilmente encontra o pesquisador que estudou a vacina, o autor de um artigo científico ou quem elaborou uma nota técnica. Encontra o profissional de enfermagem. É nesse encontro cotidiano que a ciência deixa os documentos e chega à conversa.

Na perspectiva apresentada durante a palestra, as equipes que trabalham diretamente com imunização ocupam uma posição importante nessa aproximação. São esses profissionais que recebem perguntas e precisam tornar informações técnicas compreensíveis diante de diferentes dúvidas e experiências.

Aplicar uma vacina exige técnica, mas o cuidado começa antes: na escuta, no acolhimento e na confiança construída durante a conversa”, afirmou Susy.

A confiança antes da dose

O Curso de Qualificação das Boas Práticas de Acolhimento em Sala de Vacinação, promovido pela Secretaria Municipal da Saúde de Salvador, terá três dias de duração. A palestra de Susy Moreno ocorreu às 9h desta quarta-feira, na abertura da programação, a convite de Doiane Lemos, coordenadora do Programa de Imunização do município de Salvador.

Doiane Lemos e Zé Gotinha

Ao final da atividade, Doiane Lemos agradeceu a participação e a disponibilidade de Susy e destacou a contribuição da abordagem para a formação das equipes. Segundo Doiane, a palestra superou as expectativas e dialogou diretamente com a proposta do curso, ao trazer para a discussão pontos que considera essenciais para a atuação das profissionais de enfermagem nas salas de vacinação e durante todo o processo de acolhimento.

Susy resumiu a perspectiva apresentada durante a palestra em uma frase:

A primeira dose é humana e acontece na conversa; a segunda é técnica e acontece no braço.

Entre uma conversa e uma dose, está a confiança que deu o tom à abertura da formação.

 

Profissionais no evento de abertura

Créditos Autor: Redação
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