As eleições de 2026 contrariaram a fama de estrategista infalível de Gilberto Kassab. O presidente do PSD viu suas apostas presidenciais naufragarem e a bancada partidária ficar estável. Aliados também perderam disputas de governo, evidenciando o alto custo dos erros de cálculo.
As eleições de 2026 contrariaram a fama de estrategista infalível de Gilberto Kassab. O presidente do PSD viu suas apostas presidenciais naufragarem, a expansão da bancada partidária na Câmara ficar aquém da meta e aliados perderem disputas de governo. O alto custo dos erros de cálculo é flagrante.
O insucesso de Kassab nas eleições de 2026 como um dos cinco maiores caciques partidários do país começou no ano passado, ao insistir em uma terceira via para o Palácio do Planalto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Depois, descartou apoiar Flávio Bolsonaro (PL). Sem Tarcísio, formou um leque de presidenciáveis do PSD formado pelos governadores Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite. Restou Caiado, que não criou a esperada alternativa competitiva.
Aposta em terceira via fracassa
A insistência em Tarcísio de Freitas como nome de terceira via mostrou-se um equívoco estratégico. O governador paulista não avançou na pré-campanha, deixando Kassab sem plano B imediato. A recusa em apoiar Flávio Bolsonaro também limitou as alianças do partido no espectro da direita.
Com a desistência de Tarcísio, o PSD tentou construir uma candidatura própria com três governadores. No entanto, Ratinho Junior retirou-se da disputa e Eduardo Leite não decolou. Sobrou Ronaldo Caiado, que não conseguiu se viabilizar como alternativa competitiva.
Caiado fica em quinto lugar
Candidato a vice de Caiado, Kassab terminou a disputa em quinto lugar, com 2,18% dos votos. Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentraram mais de 92% dos votos válidos. A polarização política do país resistiu à máquina partidária e o PSD ficou atrás também de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), frustrando o seu projeto presidencial.
Curiosamente, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a acenar para Kassab no começo das negociações para 2026. O gesto, porém, não foi correspondido, e o PSD seguiu caminho próprio, colhendo um resultado pífio nas urnas.
Bancada estável, não expansão
Na Câmara, o PSD elegeu 43 deputados, ante 42 em 2022: mera estabilidade, não expansão expressiva. O PL conquistou 121 cadeiras e consolidou a liderança. A meta de crescimento da bancada, alardeada por Kassab, não se concretizou.
O desempenho parlamentar reflete a dificuldade do partido em se posicionar diante da polarização. Enquanto o PL capitalizou o bolsonarismo, o PSD ficou espremido entre o centro e a direita, sem identidade clara para o eleitor.
Aliados perdem no Paraná
Apesar de ser um dos governadores mais bem avaliados do país, Ratinho Jr. (PSD) não só se retirou da pré-campanha para o Palácio do Planalto como sequer conseguiu eleger o seu sucessor no Paraná. O seu candidato Sandro Alex (PSD) ficou em segundo lugar, com 25% dos votos, metade de Sergio Moro (PL).
A derrota no Paraná é emblemática do desgaste da marca PSD mesmo em redutos antes considerados seguros. A popularidade de Ratinho Jr. não se transferiu para o candidato do partido, evidenciando a fragilidade da máquina partidária sem uma liderança carismática na disputa.
Neutralidade no segundo turno
O PSD declarou neutralidade no segundo turno, preservando alianças como a mantida com o PT na Bahia. Mas o seu candidato Caiado e o restante dos grandes partidos do Centrão já aderiram a Flávio, com a fila puxada pela federação de União Brasil e Progressistas, além de Republicanos e Podemos.
A neutralidade pode ter custado capital político ao partido, que ficou fora da composição do novo governo. Enquanto aliados históricos se alinharam ao vencedor, o PSD optou por ficar de fora, arriscando isolamento no novo cenário político.
Vitórias regionais não compensam
O PSD venceu quatro governos no primeiro turno, com Dr. Furlan (Amapá), Eduardo Braide (Maranhão), Raquel Lyra (Pernambuco) e Fábio Mitidieri (Sergipe), e segue na disputa do Amazonas, com Omar Aziz. Essas vitórias, porém, não compensam as derrotas nos grandes colégios eleitorais e a frustração do projeto presidencial.
O saldo geral das eleições de 2026 para o PSD é de estagnação e perda de protagonismo. O mito de Kassab como grande estrategista sofreu um abalo considerável, e o partido terá que recalcular sua rota para as próximas disputas.
O resultado das urnas impõe uma reflexão interna no PSD sobre o futuro da legenda e o papel de Kassab. A continuar assim, o partido pode perder ainda mais espaço no xadrez político nacional.
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Créditos Autor: Redação BnT
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