Colóquio reuniu na ALBA representantes de instituições, autoridades e lideranças para discutir relações com a África, desenvolvimento e reparação – Foto: Divulgação/ALBA

Em comemoração ao Mês da Ancestralidade de Matriz Africana, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou, nesta segunda-feira (10), no Auditório Jornalista Jorge Calmon, o Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação.

O encontro, com debates que acontecem em Salvador e Cachoeira (Recôncavo) segue até o próximo domingo (16), e faz parte da programação dos 25 anos do Fórum de Entidades Negras da Bahia (Feneba), sendo um desdobramento do 9º Congresso Panafricano, promovido em dezembro do ano passado, em Lomé, capital do Togo.

Anfitriã do evento, a vice-presidente da ALBA, deputada Fátima Nunes (PT), destacou que a Casa do Povo é o lugar de elaborar as leis que estabelecem garantia de direitos, reparação de injustiças e combate ao racismo e às desigualdades.

“A Assembleia está engrandecida com a presença de tantos ativistas e lutadores que sempre buscam o respeito e a dignidade para o nosso povo negro. Estamos integradas nessa caminhada para reparar as mazelas sociais existentes neste país há mais de 500 anos e conquistar melhorias para nossa gente”, declarou a deputada.

Convidada especial do evento, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, salientou que o Brasil tem uma dívida histórica com a população afrodescendente pelo processo da escravização de africanos, já reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o mais grave crime cometido contra a humanidade.

“Estamos participando desses congressos porque a gente acredita que produzir política pública tem que ser orientada para produzir ações de reparação. Nossa presença aqui na Bahia é para acolher as demandas, todas as sugestões, transformando tudo isso em política pública”, garantiu a ministra.

Presidente da Fundação Palmares, João Jorge Rodrigues lembrou que a Bahia tem 83% de sua população com origem na África, devendo ser retomada essa ponte com o Atlântico Sul, desenvolvendo mais a economia e a cultura com Togo, Benin, Nigéria, Angola, Egito e Etiópia, porque são parceiros naturais.

“Os africanos que vieram para cá representam a mais antiga civilização da humanidade. A Bahia de hoje é devedora da contribuição africana para o Carnaval, a cultura, o turismo, a gastronomia. Precisamos retomar esta ponte, porque não há Bahia sem África”, assegurou.

Programação segue em Cachoeira, no Recôncavo Baiano

Além das personalidades, prestigiaram o encontro: o embaixador do Togo no Brasil, Lantame Oubonfo; a prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga; o embaixador Francisco Luz, chefe do escritório do Itamaraty; Joselito Freitas, secretário da Secretaria-Geral da Presidência da República; Paulo Alencar, representante da BYD; a reitora da Uneb, Adriana Marmori; e a deputada Olívia Santana (PC do B).

Depois de algumas atividades desenvolvidas nos próximos dias em Salvador, a programação do Colóquio Internacional será realizada, a partir de sexta-feira (14), na histórica cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano.

Estão previstas uma sessão especial na Câmara Municipal, com as cidades-irmãs Cachoeira e Aneho, do Togo; e também a participação na Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte.

No domingo pela manhã, será rezada uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Depois do almoço, a programação do colóquio será encerrada com a Caminhada Azoany, do Pelourinho até São Lázaro.

Créditos Autor: Notícias da Bahia
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