O Brasil vai encarar a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo e tem um perigo pela frente: Erling Haaland. O craque do ataque norueugês é quem deve ser o principal alvo a ser anulado pela Seleção de Carlo Ancelotti. E ninguém melhor do que um zagueiro de Copa do Mundo para dar dicas à dupla titular do Brasil. E conhecedor da Noruega. Gonçalves estava com a Amarelinha na Copa do Mundo de 1998 e enfrentou a mesma seleção na derrota por 2 a 1, na fase de grupos daquele Mundial.
Em entrevista exclusiva ao Bolavip Brasil, o ex-jogador falou sobre os percalços que a Seleção pode enfrentar, especialmente com Halland.
“O que me preocupa na nossa defesa atualmente é a falta de sobra entre os dois zagueiros, entre o Marquinhos e entre o Gabriel Magalhães, porque o Haaland é um jogador alto, forte, mas também muito veloz. Além de ser muito rápido. Então, um jogador com essa velocidade, você tem que ter uma sobra, você não pode ficar em linha, porque é um jogador capaz de fazer um facão entre os zagueiros, assim como o Mbappé também faz muito bem, com uma velocidade que é difícil de o zagueiro conseguir acompanhar”, comentou.
Para ele, é necessário ter essa sobra para ajudar na marcação, impedindo que o camisa 9 da Noruega tenha espaço, tanto de frente quanto para receber dentro da área.
“Tem que ter a sobra. Então essa é a minha preocupação para jogar contra tanto a Noruega quanto a França, que também tem o Mbappé que faz esse tipo de facão que o Haaland faz e que preocupa. Preocupa toda a defesa que joga em linha, todas as de agora que jogam em linha não fazem a sobra como nós fazíamos antigamente”, disse, relembrando do grandalhão de 1998, Tore Andre Flo:
“Naquela época o Flo não era um atacante rápido, era alto, tinha habilidade, sabia jogar com a bola no pé, tinha drible, mas veloz ele não era. E mesmo assim nós jogávamos fazendo a sobra. Eu e o Junior Baiano, eu e o Aldair, naquela época o sistema defensivo, a dupla de zagueiros sempre jogava fazendo a sobra um do outro, de acordo com a posição do atacante”, analisou.
Lembranças da derrota
Mesmo o atual campeão do mundo naquela Copa, o Brasil passou dificuldades com a Noruega e perdeu aquele duelo. Gonçalves comentou quais foram as dificuldades encontradas e porque a Seleção saiu com o revés
“Nós estamos falando de um jogo que aconteceu há quase 30 anos, mas sem dúvida a principal dificuldade que o nosso time teve naquele confronto foi a organização defensiva da Noruega. Tinha também o jogo aéreo muito forte, e coincidentemente eles tinham um jogador com as características que o Haaland (Flo). Se eu não me engano, acho que ele era até mais alto que o Haaland. Sem dúvida, a organização defensiva deles foi a maior dificuldade que nós encontramos, e atualmente também é uma equipe muito bem organizada defensivamente, e com alguns jogadores com qualidades ofensivas que eles não tinham no time naquele ano. Então hoje eu vejo a Noruega mais forte que a Noruega de 1998”, opinou.
Dicas para Gabriel Magalhães
Atuando na Premier League pelo Arsenal-ING, Magalhães já tem conhecimento do que é encarar Haaland. Afinal, a estrela da Noruega defende o Manchester City. Por isso, Gonçalves acredita que a experiência dos confrontos pode ajudar.
“Ele já enfrentou o Haaland muitas vezes na Premier League, levando a melhor alguns jogos e levando a pior em outros. Isso faz parte. Acho que não é só ele que tem que estar preocupado, mas Marquinhos e Douglas Santos, Danilo… A marcação tem que ser forte em cima dele, com a sobra entre os dois zagueiros. Não adianta ir no corpo a corpo, tem que buscar distância para chegar primeiro na bola do que ele. Se deixar ele chegar junto com o corpo, a tendência é que ele leve vantagem”, comentou.
A carreira de Gonçalves
Gonçalves fez história no futebol brasileiro e jogou pelo Botafogo até a Copa do Mundo de 1998. Ele iniciou a carreira no Flamengo, passou pelo Santa Cruz, Tecos-MEX e o próprio Botafogo. Voltou ao Glorioso em 1995 e foi um dos pilares do título brasileiro daquele ano.O defensor ainda passou pelo Cruzeiro e Internacional, encerrando a carreira em 1999 no time gaúcho.
