Política

Derrotado na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro encerrará seu mandato de senador em fevereiro de 2027 e ficará sem cargo público e sem foro privilegiado pela primeira vez desde 2002. Investigações no STF, porém, devem permanecer na Corte.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) ficará sem cargo público e sem foro privilegiado a partir de fevereiro de 2027, após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Será a primeira vez em 24 anos, desde 2002, que o político bolsonarista não ocupará uma função eletiva. Atualmente, Flávio cumpre mandato de senador pelo Rio de Janeiro, que se encerra com a posse dos novos eleitos.

A trajetória política de Flávio começou em 2003, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro aos 21 anos. Desde então, acumulou vitórias eleitorais, mas também sofreu derrotas, como a tentativa de se tornar prefeito do Rio em 2016 e, agora, a disputa presidencial.

Derrota nas urnas encerra ciclo político

Às 21h08, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 97% das urnas apuradas, confirmou a vitória de Lula. Ao fim da apuração, Flávio obteve 59,8 milhões de votos (48,21% do total), enquanto Lula alcançou 64,3 milhões (51,79%). A derrota marca o segundo revés eleitoral do herdeiro político de Jair Bolsonaro em dez anos.

Com o resultado, Flávio deixará o Senado em fevereiro de 2027, quando os novos parlamentares tomam posse. A partir de então, ele perde o foro privilegiado e volta a poder ser investigado e processado pela primeira instância, a justiça comum.

Investigações no STF devem continuar

No entanto, as investigações nas quais Flávio já é formalmente investigado devem permanecer no Supremo Tribunal Federal. Em 2025, o STF definiu que crimes praticados no cargo e em razão das funções continuam sendo julgados pelos tribunais superiores, mesmo depois de o político deixar o cargo.

Flávio é investigado em dois casos no STF. O primeiro trata do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Menos de seis meses após anunciar sua pré-candidatura, o portal The Intercept revelou áudios e mensagens mostrando que Flávio negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o pagamento de R$ 130 milhões como investimento no filme. O g1 e a TV Globo tiveram acesso a documentos que mostram que o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões.

Segunda investigação envolve conta bancária

A segunda investigação tem ligação com o advogado Willer Tomaz. Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária do advogado, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. A informação está em troca de e-mails localizada pela Polícia Federal (PF).

Para a PF, o cadastro dava a Flávio “acesso operacional relevante” à conta bancária e “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”. Flávio e Willer Tomaz são amigos, mas negam ter negócios juntos.

Atuação discreta e patrimônio em alta

Atual senador, Flávio ainda terá cerca de três meses no Congresso Nacional. Metade do mandato de oito anos foi cumprida durante a presidência de seu pai. Nesse período, ele presidiu a Comissão de Segurança Pública, tema que sempre colocou como sua bandeira.

No entanto, sua atuação foi tímida como senador. Teve somente dois projetos transformados em lei – nenhum sobre segurança pública. Nesse período, o patrimônio do candidato aumentou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões.

Reconhecimento do presidente do Senado

Neste domingo (25), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cumprimentou Flávio pela disputa à Presidência. “O Senado viu um de seus membros disputar a eleição num país dividido. Um colega senador disputou e teve 60 milhões de votos, e isso não é pouca coisa. Nosso reconhecimento incondicional à vontade do povo nas urnas”, disse Alcolumbre.

Com o fim do mandato, Flávio Bolsonaro encerra um ciclo de 24 anos na vida pública, marcado por vitórias eleitorais, derrotas e investigações em curso. O futuro político do senador, a partir de 2027, permanece incerto.

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Créditos Autor: Redação BnT
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