Pré-candidato diz não confiar no comando da corporação e pede que agentes atuem em investigação sobre fraudes no INSS

O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou seu perfil no X no domingo (19.jul.2026) para recusar a proteção da Polícia Federal durante o período de campanha presidencial.

Na publicação, o congressista pediu que os agentes que seriam colocados à sua disposição fossem destinados à investigação sobre fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social.

A declaração foi feita na véspera da ativação da estrutura nacional preparada pela PF para proteger os candidatos à Presidência. O governo destinou cerca de R$ 95 milhões à operação, que poderá mobilizar até 458 agentes e atender simultaneamente a 10 candidaturas.

Flávio afirmou que pretende contribuir para a apuração dos desvios no INSS ao abrir mão da equipe. Ele mencionou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Se a desculpa oficial do chefe da PF para não investigar Lulinha –acusado de receber mensalinho do Careca do INSS– foi a falta de efetivo, quero dar a minha contribuição para que o dinheiro roubado no governo Lula seja devolvido aos aposentados”, declarou.

O senador disse não confiar no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Falou na possibilidade de agentes serem colocados em sua campanha com outra finalidade. Não apresentou elementos para sustentar a afirmação.

“Além disso, não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, escreveu na rede social.

Flávio afirmou que, caso seja eleito, os policiais federais serão “valorizados” e voltarão a ter autonomia. Disse que a corporação recebe atualmente ordens para perseguir opositores de Lula.

Proteção aos candidatos

A PF informou que a proteção poderá começar nesta 2ª feira (20.jul), depois da homologação das candidaturas pelas convenções partidárias e da apresentação de um pedido formal pelas campanhas.

A corporação mantém conversas com partidos e pré-candidaturas desde abril. Em maio, representantes das siglas participaram de uma reunião em Brasília na qual a PF apresentou protocolos de análise de riscos e monitoramento de ameaças físicas e digitais.

Cada candidato terá um planejamento próprio, atualizado de acordo com as ameaças, vulnerabilidades, locais dos eventos, deslocamentos e características das agendas. A estrutura poderá incluir:

  • veículos blindados e grupos táticos;
  • equipamentos de defesa antidrone;
  • reconhecimento facial e monitoramento de ameaças digitais;
  • equipes e kits para vistorias antibombas.

Uma sala de comando será ativada em Brasília para acompanhar as equipes e as agendas em tempo real. Segundo a PF, as informações sensíveis sobre itinerários, riscos e composição dos grupos de proteção terão acesso restrito.

A adesão ao esquema é uma escolha do candidato. A PF informou que respeitará as campanhas que recusarem o serviço e que a proteção poderá ser solicitada posteriormente.


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