O governo federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores, recomendou nesta quarta-feira (27) que brasileiros evitem viagens para regiões da Bolívia em meio à escalada da crise política, econômica e social no país vizinho. O alerta consular foi emitido após uma série de bloqueios de estradas, confrontos e manifestações contra o governo do presidente boliviano Rodrigo Paz.

Segundo o Itamaraty, os departamentos de La Paz, Oruro e Potosí enfrentam graves problemas de mobilidade por causa das interdições realizadas por manifestantes. As ações atingem rodovias estratégicas e dificultam o acesso a destinos turísticos conhecidos, como Salar de Uyuni e Copacabana, além de comprometer deslocamentos terrestres em diversas regiões bolivianas.

Em nota oficial, o ministério informou que a situação é dinâmica e que os protestos podem se espalhar para outras áreas do país. O governo brasileiro orientou cidadãos brasileiros que vivem ou estão na Bolívia a evitarem viagens rodoviárias não essenciais, manterem contato frequente com familiares e seguirem as recomendações das autoridades locais.

A crise boliviana tem provocado tensão crescente nas últimas semanas. Manifestantes cobram mudanças na política agrária, melhorias no abastecimento de combustíveis e até a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Em várias cidades, a polícia boliviana reagiu com bombas de gás e ações de repressão para conter os protestos.

Nos bastidores diplomáticos, a preocupação do Palácio do Planalto é com o agravamento da instabilidade na América do Sul e seus reflexos econômicos e migratórios na região. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com Rodrigo Paz na última segunda-feira (25) e decidiu autorizar o envio de ajuda humanitária à Bolívia.

De acordo com informações divulgadas pelo governo brasileiro, Paz pediu apoio direto ao Brasil para enfrentar o colapso logístico causado pelos bloqueios. Entre os pedidos feitos ao governo Lula estão o empréstimo de aeronaves para transporte de alimentos, envio de mantimentos não perecíveis e uma manifestação pública de apoio institucional ao diálogo democrático no país vizinho.

Após o telefonema, o Palácio do Planalto divulgou nota afirmando que Lula reiterou solidariedade ao povo boliviano e defendeu o respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.

Estimativas do Itamaraty apontam que cerca de 75 mil brasileiros vivem atualmente na Bolívia. O governo brasileiro mantém monitoramento permanente da situação e não descarta novas medidas caso a crise avance nos próximos dias.

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