Resultado positivo no mês foi maior que o de 2025, mas saldo acumulado no ano caiu 88,1%

O governo federal registrou superavit primário de R$ 25,2 bilhões em abril de 2026. O resultado foi divulgado pelo Tesouro Nacional nesta 5ª feira (28.mai.2026), em Brasília. Em igual mês de 2025, o saldo positivo havia sido de R$ 18,2 bilhões. Eis a íntegra do relatório (PDF – 982 kB) e da apresentação (PDF – 1 MB).

O resultado veio acima da expectativa do mercado, cuja mediana apontava para R$ 24,7 bilhões. Apesar da melhora no resultado mensal, o acumulado do ano mostra deterioração das contas públicas e amplia a pressão sobre o cumprimento da meta fiscal de 2026.

O superavit de abril não foi suficiente para reverter a piora observada no acumulado do ano, pressionado principalmente pelo avanço de gastos previdenciários, precatórios e despesas obrigatórias.

No acumulado de janeiro a abril, o Governo Central registrou superavit de R$ 8,7 bilhões. Em igual período de 2025, o saldo positivo havia sido de R$ 73,2 bilhões. A queda foi de 88,1% em termos nominais.

Segundo o Tesouro Nacional, a receita líquida cresceu 5,8% acima da inflação em abril na comparação anual, enquanto a despesa total avançou 3,3%. 

A arrecadação foi impulsionada principalmente pelo aumento das receitas com Imposto sobre a Renda, Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e contribuições ao Regime Geral de Previdência Social.

O IOF registrou alta real de 29,5% em abril frente ao mesmo mês de 2025, favorecido pelas operações de crédito e saída de moeda estrangeira após mudanças legislativas implementadas em junho do ano passado. 

Já a arrecadação com dividendos e participações caiu 82,4%, influenciada pela redução de repasses de estatais, com destaque para a Caixa Econômica Federal, que zerou o envio de dividendos no mês.

Do lado das despesas, os gastos com benefícios previdenciários cresceram 3,4% acima da inflação em abril, enquanto as despesas com pessoal e encargos sociais subiram 9,8%. 

No acumulado do ano, as despesas totais avançaram 14,2% em termos reais, puxadas sobretudo pelo pagamento antecipado de precatórios e sentenças judiciais.

O Tesouro Nacional informou ainda que o deficit primário acumulado em 12 meses até abril chegou a R$ 130,6 bilhões, equivalente a 0,97% do Produto Interno Bruto (PIB). O relatório bimestral de receitas e despesas do Governo Federal projeta deficit de R$ 60,3 bilhões para 2026.

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