Tema central é o avanço dos estudos e projetos da rodovia entre San Ignacio de Velasco e Marfil a Vila Bela da Santíssima Trindade (MT)
Empresários brasileiros do agronegócio se reúnem nesta 6ª feira (31.jul.2026) com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira (Partido Democrata Cristão, centro-direita), para discutir projetos de integração logística entre os 2 países. O grupo é liderado pelo empresário Erai Maggi.
Segundo o InfoMoney, o principal assunto da reunião será a liberação dos estudos e projetos de uma rodovia que vai de San Ignacio de Velasco, no departamento boliviano de Santa Cruz, a Marfil, na fronteira com Vila Bela da Santíssima Trindade, em Mato Grosso.
O trecho que está em território boliviano tem 129 km. Atualmente, o percurso é feito por uma estrada de terra, com partes ainda não implantadas e circulação limitada em determinados períodos do ano.
No lado brasileiro, o governo de Mato Grosso começou a pavimentar os 80 km da MT-199 que levam até a divisa com a Bolívia. A conclusão das obras está estimada para 2027. Empresários defendem que o cronograma aumenta a urgência para que o governo boliviano dê andamento ao seu trecho do corredor.
A comitiva brasileira chegará a San Ignacio de Velasco em mais de 20 aeronaves privadas. O deslocamento exigiu uma operação internacional especial no aeroporto da cidade, inaugurado em 2018 e que ainda não recebe voos regulares.
A reunião será realizada durante as celebrações pelos 278 anos da fundação do município e foi organizada pelo Comitê de Integração Brasil–Bolívia. A programação deve ter ainda ministros bolivianos, representantes de governos regionais e municipais e integrantes dos setores produtivos dos 2 países.
O projeto interessa especialmente aos produtores de Santa Cruz, departamento responsável por 97% da soja e por cerca de metade do milho produzido na Bolívia. A região tem PIB de US$ 14,3 bilhões, equivalente a 30,2% da economia boliviana.
Mato Grosso, do outro lado da fronteira, tem PIB de US$ 55 bilhões. O Estado registrou crescimento real de 661% de 1995 a 2024, o maior avanço entre as unidades da Federação no período.
Com a conclusão da ligação rodoviária, produtos da Chiquitania, região boliviana formada por planícies e savanas tropicais, poderiam seguir por cerca de 1.300 km até Porto Velho, em Rondônia.
Na capital rondoniense, as cargas seriam transferidas para barcaças com capacidade de até 60.000 toneladas e transportadas pelos rios Madeira e Amazonas até terminais como Itacoatiara, Santarém e Barcarena. O sistema integra o chamado Arco Norte, responsável por movimentar mais de 50 milhões de toneladas de soja e milho por ano.
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