Criada para conscientizar a população sobre o ceratocone e reforçar a importância do diagnóstico precoce, a campanha Junho Violeta tem ganhado espaço nos últimos anos entre entidades médicas e especialistas em oftalmologia. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a doença, que ainda é pouco conhecida, apesar de atingir principalmente adolescentes e adultos jovens. Além disso, o movimento chama atenção para hábitos que podem agravar o quadro, como coçar os olhos com frequência.
Alterações constantes no grau dos óculos, visão borrada e dificuldade para enxergar à noite estão entre os principais sinais de alerta do ceratocone, doença ocular que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte da frente do olho. Embora relativamente comum, a condição ainda gera dúvidas e, em muitos casos, demora para ser identificada.
Segundo o oftalmologista Dr. Rodrigo Carvalho, o ceratocone provoca mudanças na estrutura da córnea, comprometendo a qualidade da visão. “O ceratocone é uma doença da córnea em que ela vai ficando mais fina e assumindo um formato irregular, parecido com um cone. Isso provoca distorção da visão e dificuldade para enxergar com qualidade”, explica.
O especialista destaca que um dos maiores desafios está justamente na identificação precoce da doença. Isso porque os sintomas iniciais costumam ser confundidos apenas com aumento do grau dos óculos. “Muitos pacientes passam anos trocando os óculos sem imaginar que existe uma doença por trás dessa piora visual”, afirma.
Sintomas exigem atenção
Entre os sintomas mais comuns estão visão embaçada, sensibilidade à luz, imagens duplicadas, dificuldade para dirigir à noite e mudanças frequentes na prescrição dos óculos. Em algumas situações, mesmo com a correção visual, o paciente continua apresentando dificuldade para enxergar com nitidez.
De acordo com o médico, crianças e adolescentes também podem desenvolver a doença e, nessa faixa etária, ela tende a evoluir de forma mais rápida. “Quanto mais jovem o paciente, maior costuma ser o risco de progressão. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, enfatiza.
Além da predisposição genética, um hábito bastante comum está diretamente associado ao agravamento do quadro: coçar os olhos. Conforme explica Dr. Rodrigo Carvalho, o atrito repetitivo pode enfraquecer ainda mais a córnea e acelerar a evolução da doença, principalmente em pessoas predispostas.
Casos de rinite, alergias respiratórias e alergia ocular também merecem atenção, já que aumentam a coceira e, consequentemente, o atrito na região dos olhos.
Diagnóstico precoce ajuda a preservar a visão
O diagnóstico do ceratocone é realizado por meio de avaliação oftalmológica e exames específicos da córnea. Atualmente, tecnologias mais modernas permitem identificar alterações precoces antes mesmo do surgimento de sintomas mais intensos.
“Com exames como a tomografia de córnea, conseguimos detectar sinais iniciais e acompanhar a progressão com muito mais precisão”, afirma o especialista.
Os tratamentos disponíveis hoje permitem controlar a progressão da doença e preservar a qualidade visual na maioria dos casos. Dependendo do estágio, podem ser indicados óculos, lentes especiais, anéis intracorneanos e o crosslinking, procedimento que fortalece a córnea e ajuda a impedir a evolução do quadro.
“O principal objetivo do crosslinking é estabilizar a doença. Hoje, graças ao diagnóstico precoce e aos tratamentos modernos, conseguimos reduzir bastante a necessidade de transplante de córnea”, destaca o oftalmologista.
Créditos Autor: Isabela
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