A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira 18 a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o Banco Master. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), cuja inclusão na investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

Na decisão, Mendonça reproduz os elementos apresentados pela Polícia Federal para justificar as medidas cautelares. Segundo a investigação, há indícios de uma relação entre Wagner, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o empresário Augusto Lima, apontado como ex-sócio e gestor ligado à instituição financeira. A PF apura suspeitas de vantagens econômicas indevidas, repasses financeiros, a negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador e uma possível atuação parlamentar em temas de interesse do banco. 

Ao longo de 30 páginas, a decisão também descreve mensagens, chamadas telefônicas, viagens e outros elementos reunidos pelos investigadores para fundamentar as buscas autorizadas pelo STF. O documento registra que as conclusões da Polícia Federal ainda estão em fase de investigação e servirão de base para o aprofundamento das apurações, sem representar, neste momento, um juízo definitivo sobre a responsabilidade dos investigados. 

CartaCapital entrou em contato com a assessoria de imprensa de Jaques Wagner e aguarda retorno. Em fevereiro, porém, o senador negou qualquer irregularidade envolvendo o caso. À época, afirmou que “o PT da Bahia não tem nada a temer” e disse que a relação com Augusto Lima teve origem na venda de uma rede de supermercados estatal da Bahia, quando o empresário atuava no setor de cartões de benefícios. “Os trambiques ou os malfeitos do Banco Master é lá com eles [com a oposição], não têm nada a ver com a compra que a gente fez aqui”, declarou. Wagner também afirmou que “quem estourou o escândalo foi o Banco Central, cujo presidente [Gabriel Galípolo] foi nomeado pelo presidente Lula”, acrescentando: “Estou muito tranquilo com isso”.

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Créditos Autor: Vinícius Nunes
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